A disputa pela Presidência da República começa a provocar novos rearranjos dentro dos partidos do chamado Centrão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem atuado nos bastidores para que a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), mantenha uma posição de neutralidade na eleição presidencial.

A movimentação ocorre em meio à reaproximação política de Alcolumbre com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à tentativa do governo de evitar que uma das maiores estruturas partidárias do país seja incorporada à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

A federação reúne duas siglas com forte presença no Congresso e nos estados. Por isso, uma decisão nacional de neutralidade pode dar mais liberdade para que diretórios estaduais construam alianças próprias, sem necessariamente seguir uma orientação única para a disputa presidencial.

Por que Alcolumbre quer a neutralidade?

A estratégia permite que União Brasil e PP não precisem escolher formalmente entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Na prática, a neutralidade abre espaço para que lideranças estaduais apoiem candidatos diferentes na disputa presidencial, enquanto preservam alianças locais e interesses próprios.

O movimento também se encaixa no esforço de reconstrução da relação entre Alcolumbre e Lula. O presidente do Senado vinha mantendo uma relação de maior distanciamento com o Palácio do Planalto, especialmente após conflitos envolvendo votações e decisões do Senado.

A aproximação ganhou força ao longo de 2026, em meio às negociações sobre projetos de interesse do governo e às articulações políticas para as eleições.

Alcolumbre, por sua posição no comando do Senado, é considerado um dos principais interlocutores do Centrão em Brasília.

Federação tem posições diferentes internamente

A União Progressista enfrenta uma situação peculiar: apesar de atuar como uma única federação partidária, reúne lideranças com interesses e posicionamentos diferentes na corrida presidencial.

De um lado, Alcolumbre mantém interlocução próxima com Lula. Do outro, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, é um dos principais nomes da oposição ao governo federal e tem proximidade histórica com o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Essa diferença de posicionamento dificulta a construção de um apoio nacional uniforme.

A solução da neutralidade permite que a federação preserve sua unidade enquanto as lideranças regionais definem seus próprios caminhos.