O Congresso Nacional retoma os trabalhos nesta segunda-feira (10) depois do recesso parlamentar, mas encontra um cenário bem diferente de um período normal de atividade legislativa. Com as eleições de 2026 se aproximando, deputados e senadores terão pouco tempo para avançar em uma série de propostas antes que a campanha eleitoral passe a dominar ainda mais a agenda política.
O retorno também ocorre depois de um adiamento provocado pelo calendário eleitoral. Embora o recesso constitucional tenha previsão de encerramento no início de agosto, Câmara e Senado acertaram a retomada para 10 de agosto, em meio às convenções partidárias e à organização das candidaturas.
A expectativa é que o segundo semestre tenha um ritmo de votações concentrado. O Senado já anunciou duas semanas de esforço concentrado em agosto e setembro, justamente para tentar colocar matérias importantes em votação antes das eleições de outubro.
Eleições devem dificultar acordos
O principal obstáculo para o Congresso será conciliar a agenda legislativa com a disputa eleitoral.
A eleição de 4 de outubro renovará a Câmara dos Deputados e parte do Senado, além de definir presidente, governadores e assembleias legislativas. Com parlamentares envolvidos diretamente nas campanhas ou apoiando aliados em seus estados, o número de dias efetivamente disponíveis para votações tende a diminuir.
O calendário também aumenta a pressão sobre líderes partidários. Projetos que exigem negociações mais longas podem ficar em segundo plano, enquanto propostas capazes de produzir impacto eleitoral ganham espaço.
A avaliação de parlamentares e analistas é que o Congresso terá de escolher prioridades em um período considerado curto. A agenda inclui medidas provisórias, vetos presidenciais, questões orçamentárias e propostas de forte repercussão social.
Pautas importantes estão na fila
Entre os assuntos que pressionam a agenda estão projetos relacionados à economia, segurança pública, jornada de trabalho e medidas de apoio a setores afetados pelo cenário internacional.
Também existe uma fila de vetos presidenciais que precisa ser analisada pelo Congresso. No Senado, há vetos que podem trancar a pauta caso não sejam apreciados dentro das regras regimentais.
Outro ponto de atenção são as medidas provisórias que têm prazo limitado de tramitação. Uma delas prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para exportadores e setores prejudicados pelo novo tarifaço dos Estados Unidos, tema que ganhou importância diante das mudanças no comércio internacional.
A agenda econômica, portanto, terá de disputar espaço com pautas políticas e eleitorais.
Congresso terá pouco espaço até outubro
O calendário é considerado apertado porque, além das atividades parlamentares, os partidos entram na fase decisiva da organização das campanhas.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Até lá, Câmara e Senado terão de administrar uma agenda que inclui votações pendentes, medidas provisórias, vetos e projetos considerados prioritários pelas bancadas.
O Senado já anunciou que pretende concentrar esforços em determinadas semanas para acelerar as deliberações.
Na prática, isso significa que o Congresso deverá funcionar em um ritmo mais intenso em determinados períodos e mais lento em outros, conforme o calendário eleitoral avançar.
Disputa política deve dominar Brasília
A retomada dos trabalhos ocorre em um momento de forte movimentação partidária. Com as candidaturas praticamente definidas após as convenções, a tendência é que as decisões tomadas no Congresso passem a ser avaliadas também pelo impacto eleitoral.
Para Alagoas, o cenário merece atenção redobrada. Além da disputa pelo Governo do Estado e pelas duas vagas ao Senado, o resultado das eleições definirá a composição da bancada federal que representará os interesses alagoanos em Brasília a partir de 2027.
Até outubro, portanto, deputados e senadores terão de dividir o tempo entre duas agendas: votar projetos de interesse nacional e construir as próprias estratégias eleitorais.
É justamente essa combinação que deve determinar o ritmo do Congresso nos próximos meses.
