A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de uma nova caneta injetável à base de semaglutida no Brasil. O medicamento, chamado Yluméc, é fabricado pela farmacêutica brasileira EMS e foi autorizado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2.

A aprovação foi anunciada nesta segunda-feira (31) e amplia o número de opções disponíveis no país para tratamentos que utilizam a semaglutida, princípio ativo conhecido por atuar sobre os receptores do hormônio GLP-1, ajudando no controle da glicemia e aumentando a sensação de saciedade.

A informação foi divulgada pela Agência Brasil e confirmada pela própria Anvisa. O novo medicamento é classificado como similar do tipo “clone”, tendo como referência outro produto da própria EMS. O registro terá validade até 2036.

O que a aprovação significa para Alagoas?

Para pacientes de Alagoas que fazem tratamento contra o diabetes tipo 2, a chegada de uma nova opção pode representar, no médio prazo, maior oferta de medicamentos e possibilidade de aumento da concorrência no mercado.

No entanto, o Yluméc ainda não está disponível imediatamente nas farmácias. Antes da comercialização, é necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleça o preço máximo do produto. A data de chegada às drogarias ainda não foi informada.

A ampliação da oferta também ocorre em um momento de forte expansão do mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida. Em julho, a Anvisa havia anunciado o registro de cinco novas canetas sintéticas da substância. Em agosto, a agência também aprovou um medicamento genérico e um similar à base de semaglutida.

Na prática, o aumento da quantidade de fabricantes e produtos poderá estimular a concorrência e, potencialmente, ampliar as alternativas de tratamento para os pacientes.

Atenção: aprovação não significa uso liberado para emagrecimento

Apesar de as chamadas “canetas emagrecedoras” terem ganhado enorme popularidade, é importante diferenciar as indicações aprovadas pela Anvisa.

O Yluméc foi registrado para o tratamento do diabetes tipo 2. Portanto, a aprovação não significa que o medicamento esteja automaticamente autorizado para uso com finalidade exclusivamente estética ou para emagrecimento fora das indicações previstas em bula.

A semaglutida já possui medicamentos com indicações específicas relacionadas ao controle do peso e à obesidade, mas cada produto precisa ter suas indicações terapêuticas aprovadas individualmente pela Anvisa.

Como a semaglutida atua?

A semaglutida pertence à classe dos medicamentos chamados agonistas do receptor de GLP-1. A substância ajuda a controlar a glicose no sangue e também aumenta a sensação de saciedade.

Os medicamentos dessa classe são utilizados no tratamento de doenças como diabetes tipo 2 e, dependendo do produto e da indicação aprovada, obesidade e sobrepeso.

A Anvisa determina que os medicamentos dessa classe sejam utilizados mediante prescrição médica, justamente por envolverem tratamentos que precisam considerar as condições de saúde e as características de cada paciente.

Mercado de canetas cresce no Brasil

A aprovação do Yluméc ocorre em meio a uma verdadeira expansão do mercado de medicamentos à base de semaglutida no país.

Em julho, a Anvisa registrou cinco novas canetas de semaglutida, todas destinadas ao tratamento do diabetes. Entre elas estão Owozy, Seemasun e Zempneo.

Já em agosto, a agência aprovou duas novas opções: uma versão genérica da semaglutida, produzida pela EMS, e o Semaclique, similar fabricado pela Germed. Os produtos são apresentados em canetas preenchidas para aplicação semanal.

A expansão da concorrência ocorre após o fim da patente da semaglutida no Brasil, abrindo espaço para a chegada de novos fabricantes e medicamentos.

Anvisa alerta para uso sem acompanhamento

Com o crescimento da procura pelas chamadas canetas emagrecedoras, a Anvisa também vem reforçando os cuidados relacionados ao uso desses medicamentos.

A agência já firmou parceria com entidades médicas, farmacêuticas e odontológicas para estimular a prescrição e a dispensação responsáveis dos agonistas de GLP-1.

A preocupação envolve principalmente a automedicação, o uso de produtos sem registro e a utilização dos medicamentos fora das indicações aprovadas. A Anvisa também emitiu alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido dessas substâncias.

Em abril deste ano, a agência determinou ainda a apreensão e proibiu a comercialização de produtos vendidos como canetas de GLP-1 que não possuíam registro, notificação ou cadastro no Brasil.

Para os alagoanos, a recomendação é a mesma válida em todo o país: medicamentos à base de semaglutida devem ser utilizados somente com indicação e acompanhamento de profissional de saúde, e produtos adquiridos fora dos canais regulares podem representar risco à saúde.