O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a contar com três medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer de pulmão. A distribuição de brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe está prevista para começar de forma gradual a partir de outubro, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e repercutidas pela Agência Brasil.

A medida integra a criação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), nova política do governo federal voltada à ampliação e organização da oferta de medicamentos contra o câncer na rede pública.

A expectativa do Ministério da Saúde é que aproximadamente 1,9 mil pacientes sejam beneficiados inicialmente com os três medicamentos. Ao todo, a AF-Onco prevê a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo, com estimativa de alcançar mais de 100 mil pessoas e orçamento anual de aproximadamente R$ 2,1 bilhões.

O que muda para Alagoas?

Para os pacientes alagoanos que se enquadrarem nos critérios clínicos estabelecidos pelo SUS, a ampliação representa uma possibilidade de acesso a tratamentos que possuem custo elevado na rede privada.

O governo federal ainda não divulgou, até o momento, um número específico de pacientes de Alagoas que serão contemplados pela nova oferta. Portanto, a inclusão dos medicamentos na política nacional não significa que todos os pacientes com câncer de pulmão terão acesso automático às terapias. A indicação dependerá das características clínicas e, em alguns casos, moleculares do tumor, além dos protocolos adotados pelos serviços habilitados em oncologia.

A mudança ocorre em um cenário no qual o estado também registra mobilização para prevenção e controle dos fatores de risco associados à doença.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que 24.396 atendimentos relacionados à cessação do tabagismo foram realizados em Alagoas em 2025, contra 19.969 em 2022. O crescimento foi de 22,1% no período.

Em Maceió, a Secretaria Municipal de Saúde mantém 11 unidades com atendimento especializado para pessoas que desejam parar de fumar, incluindo acompanhamento individual ou em grupo e, quando indicado, tratamento medicamentoso.

O combate ao tabagismo tem relação direta com a prevenção do câncer de pulmão. Segundo o Ministério da Saúde, o cigarro está associado a cerca de 90% das mortes provocadas por esse tipo de câncer no Brasil.

Como funcionam os medicamentos

O brigatinibe e o gefitinibe são terapias-alvo administradas por via oral. Os medicamentos atuam sobre alterações específicas presentes nas células cancerígenas e são destinados a grupos determinados de pacientes.

Uma das vantagens dessas terapias é a possibilidade de administração em casa, conforme orientação médica, o que pode trazer mais comodidade ao paciente e reduzir determinados efeitos adversos em comparação com alguns tratamentos convencionais.

Já o durvalumabe é uma imunoterapia. O medicamento atua estimulando a resposta do sistema imunológico contra as células tumorais e é indicado, entre outros critérios, para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células em estágio III que não podem ser submetidos à cirurgia.

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento com durvalumabe apresenta resultados positivos na sobrevida dos pacientes.

Tratamentos têm alto custo na rede privada

A incorporação dos medicamentos ao SUS também chama atenção pelo valor das terapias no setor privado.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, brigatinibe e gefitinibe, juntos, podem ultrapassar R$ 604 mil por ano na rede privada. Já o tratamento com durvalumabe pode superar R$ 643 mil anuais.

Com a nova política, o financiamento dos medicamentos será realizado pelo governo federal, dentro do modelo de assistência farmacêutica oncológica.

Distribuição será feita de forma gradual

A chegada dos medicamentos à rede pública não ocorrerá de uma só vez. O Ministério da Saúde informou que a distribuição será gradual, conforme as negociações com fornecedores e as condições operacionais necessárias para cada tecnologia.

A nova política prevê diferentes modelos de aquisição. Em alguns casos, a compra será centralizada pelo próprio Ministério da Saúde. Em outros, hospitais e gestores locais poderão realizar a aquisição com recursos federais ou utilizar mecanismos de negociação nacional de preços.

A expectativa é ampliar o acesso a tratamentos considerados de alta complexidade e reduzir desigualdades na oferta de tecnologias contra o câncer no sistema público.

Agosto Branco reforça alerta sobre a doença

O anúncio ocorre no fim do Agosto Branco, mês dedicado à conscientização e à prevenção do câncer de pulmão.

Em Alagoas, o período também foi marcado por ações de combate ao tabagismo. Além dos serviços oferecidos pela rede pública, autoridades de saúde têm reforçado a importância do diagnóstico precoce e da interrupção do consumo de produtos derivados do tabaco.

Para os pacientes alagoanos, a ampliação nacional do arsenal terapêutico representa uma nova perspectiva de tratamento, mas o acesso efetivo dependerá da implantação da política nos serviços habilitados e da avaliação individual de cada caso.

A orientação é que pacientes em tratamento oncológico mantenham o acompanhamento médico e procurem as unidades de referência do SUS para verificar quais terapias estão disponíveis de acordo com o diagnóstico e as características da doença.