A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas de semaglutida no Brasil. A decisão amplia a oferta de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 e pode provocar mudanças no mercado farmacêutico, inclusive em Alagoas, onde os chamados medicamentos para emagrecimento já despertam forte procura.
Os novos produtos são Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Todos têm como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética e foram registrados por comparação com o Ozempic, medicamento de referência produzido originalmente com semaglutida de origem biológica.
Apesar de serem conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, os cinco medicamentos receberam autorização da Anvisa para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. A indicação aprovada prevê uso associado a dieta e exercícios e, em determinadas situações, como alternativa ou complemento quando a metformina não é adequada.
O que muda para quem vive em Alagoas
A principal expectativa para os consumidores alagoanos está relacionada ao aumento da concorrência. Com mais empresas autorizadas a comercializar produtos à base de semaglutida, a tendência é de maior disputa por espaço no mercado, o que pode favorecer a redução de preços ao longo do tempo.
Esse movimento já havia começado com o registro do Ozivy, primeira semaglutida sintética produzida no Brasil. Em Alagoas, estimativas divulgadas anteriormente apontaram que o produto poderia chegar às farmácias com preços de até cerca de R$ 1,3 mil, dependendo da apresentação e da tributação.
A entrada de novos concorrentes, portanto, pode representar uma mudança importante para pacientes que dependem desses medicamentos e atualmente enfrentam preços elevados.
Ainda assim, não significa que as cinco novas marcas estarão imediatamente disponíveis em todas as farmácias de Alagoas. O registro sanitário é uma autorização para comercialização, mas a chegada efetiva às lojas depende de produção, distribuição, definição de preços e estratégia comercial de cada fabricante.
Medicamentos não são liberados para uso sem receita
Outro ponto que merece atenção é que a expansão da oferta não altera as regras de controle desses medicamentos.
Desde 2025, os agonistas de GLP-1, grupo que inclui semaglutida, liraglutida e tirzepatida, passaram a ser vendidos com retenção da receita médica nas farmácias. A medida foi adotada pela Anvisa diante do crescimento do uso desses medicamentos e da necessidade de ampliar o controle sobre sua utilização.
Por isso, a compra e o uso devem ocorrer com acompanhamento de profissional habilitado. A indicação médica é especialmente importante porque os medicamentos podem provocar efeitos adversos e não devem ser utilizados de forma indiscriminada.
Alerta para produtos vendidos pela internet
A ampliação do mercado também acontece em meio a uma preocupação crescente das autoridades sanitárias com produtos falsificados, contrabandeados ou sem registro.
A Anvisa e a Polícia Federal identificaram irregularidades na produção, importação e comercialização de produtos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Entre os problemas encontrados estão falhas de esterilidade, ausência de controle adequado de qualidade, armazenamento inadequado e utilização de insumos de origem desconhecida.
Em Alagoas, o tema já ganhou repercussão. O próprio Alagoas Alerta publicou recentemente um alerta sobre a comercialização ilegal de produtos apresentados como alternativas às canetas emagrecedoras, reforçando a necessidade de cuidado por parte dos consumidores.
Nos últimos dias, a Anvisa também proibiu produtos que prometiam efeitos semelhantes aos das canetas para emagrecimento, incluindo chás comercializados irregularmente e sem autorização sanitária.
Cinco novas marcas
Os medicamentos aprovados pela Anvisa são:
- Owozy — registro concedido à Ávita Care;
- Seemasun — da Sun Farmacêutica do Brasil;
- Zempneo — da Brainfarma;
- Semavy — da Cosmed;
- Orsema — da Ranbaxy Farmacêutica.
A Anvisa informou que os processos passaram por avaliação de estudos clínicos, documentação e inspeção da linha de produção estéril antes da concessão dos registros.
Mercado em expansão
A decisão faz parte de um movimento maior para ampliar a oferta de medicamentos dessa classe no país. Segundo a Anvisa, a priorização das análises de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida começou em 2025, após demanda do Ministério da Saúde relacionada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à necessidade de abastecimento do mercado brasileiro.
A agência informou ainda que, dos 24 medicamentos sintéticos e biológicos incluídos no edital de chamamento relacionado ao tema, 11 já tiveram a análise concluída, resultando em seis medicamentos aprovados até aquele momento.
E o preço?
A chegada de produtos nacionais e de novas marcas pode aumentar a competição e criar condições para preços mais acessíveis. No entanto, a Anvisa não determina sozinha o preço final praticado nas farmácias, e o valor para o consumidor pode variar conforme apresentação, fabricante, tributos e estabelecimento.
Para os alagoanos, especialmente pacientes que precisam do tratamento contínuo, a expectativa é que o aumento da oferta ajude a reduzir o peso financeiro dessas terapias.
Especialistas, porém, alertam que preço não deve ser o único fator considerado. A utilização desses medicamentos precisa estar associada a avaliação médica, acompanhamento clínico e indicação adequada.
Atenção às falsas “canetas”
Com a popularização dos medicamentos, também cresce a circulação de produtos vendidos pelas redes sociais e pela internet como supostas versões de Ozempic, Mounjaro ou outros medicamentos.
A recomendação das autoridades é comprar somente produtos regularizados, em estabelecimentos autorizados e mediante receita quando exigida. A origem do medicamento e as condições de armazenamento são fundamentais para garantir a segurança do paciente.
Para quem está em Alagoas, a orientação é a mesma: não comprar canetas de procedência duvidosa, principalmente pelas redes sociais ou de vendedores sem autorização.
A chegada de cinco novas opções representa uma mudança importante no mercado brasileiro, mas o benefício para o consumidor alagoano dependerá de quanto os novos medicamentos efetivamente chegarão às farmácias e de como a concorrência afetará os preços nos próximos meses.
