O Brasil alcançou um dos melhores resultados da série histórica de aleitamento materno exclusivo entre bebês de até seis meses acompanhados pela Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do Ministério da Saúde, 57% dessas crianças estavam em aleitamento materno exclusivo em 2025, percentual que se repetiu em 2024 e representa o maior índice registrado desde o início da série, em 2015.

O cenário apresenta uma evolução importante, mas também revela que ainda existe um longo caminho até a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de alcançar 60% de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses até 2030. O levantamento mais recente do Ministério aponta ainda uma tendência de crescimento: de janeiro até agosto de 2026, o índice parcial chegou a 59% entre os bebês acompanhados pela rede básica do SUS.

Para Alagoas, os números ganham importância em meio às ações realizadas durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização, proteção e incentivo à amamentação.

Maceió já destinou mais de mil litros de leite humano

Na capital alagoana, a mobilização envolve diretamente a rede pública de saúde. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que mais de mil litros de leite humano foram disponibilizados para maternidades públicas de Maceió.

A cidade mantém atualmente dois postos públicos de coleta, localizados nas unidades de saúde do Jacintinho e do Benedito Bentes. O leite arrecadado é destinado às maternidades e pode ser fundamental principalmente para recém-nascidos prematuros ou que necessitam de cuidados especiais.

A existência dessa estrutura representa uma das formas pelas quais a política de incentivo à amamentação chega diretamente às famílias alagoanas.

Além de contribuir para a alimentação de bebês internados, a doação ajuda a fortalecer uma rede de apoio às mulheres que produzem leite excedente e desejam contribuir com outras crianças.

Rede de saúde reforça orientação às mães

A importância do acompanhamento profissional também aparece nas estratégias adotadas pela rede pública de Alagoas.

Em Maceió, a Secretaria Municipal de Saúde promove ações durante o Agosto Dourado envolvendo profissionais que atuam no pré-natal, atendimento pediátrico, enfermagem, saúde da mulher, saúde bucal e demais áreas relacionadas à atenção básica.

A capital também vem realizando atividades de capacitação e atualização para profissionais da Atenção Primária, justamente para ampliar a qualidade da orientação oferecida às gestantes, puérperas e famílias.

No âmbito estadual, a Secretaria de Estado da Saúde também desenvolve ações de incentivo ao aleitamento. Em anos recentes, a programação do Agosto Dourado alcançou profissionais e municípios de diferentes regiões, incluindo atividades voltadas à orientação de gestantes e puérperas.

O que significa aleitamento exclusivo

O índice divulgado pelo Ministério da Saúde considera como aleitamento materno exclusivo a situação em que o bebê recebe somente leite materno, sem água, chás, sucos, outros líquidos ou alimentos.

A recomendação do Ministério da Saúde e da OMS é que a criança seja amamentada exclusivamente durante os primeiros seis meses. Depois desse período, deve ser iniciada a alimentação complementar adequada, mantendo-se o aleitamento até os dois anos de idade ou mais.

O leite materno fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento da criança e está associado à proteção contra diferentes doenças. Para a mãe, a amamentação também apresenta benefícios à saúde.

Alagoas tem estrutura de apoio, mas desafio é manter a amamentação

Embora o Ministério da Saúde não tenha divulgado, na publicação nacional deste sábado (15), um percentual estadual comparável ao índice brasileiro de 57%, há evidências de que Alagoas mantém iniciativas permanentes para estimular a prática.

Em Maceió, por exemplo, a rede municipal mantém postos de coleta de leite humano e realiza campanhas de orientação. No estado, hospitais e unidades especializadas também desenvolvem atividades direcionadas às gestantes e mães.

Um exemplo é o Hospital da Mulher, em Maceió, que mantém ações de incentivo ao aleitamento dentro da assistência às gestantes e puérperas. Em Arapiraca, a Unidade Especializada em Pré-Natal de Alto Risco também já promoveu programação específica sobre o tema.

Outro ponto de atenção está na necessidade de garantir condições para que as mulheres consigam manter a amamentação depois do retorno às atividades profissionais. A disponibilidade de salas de apoio, orientação adequada e uma rede de suporte são fatores que podem fazer diferença na continuidade do aleitamento.

Em Alagoas, o Hospital Regional da Mata, por exemplo, inaugurou uma sala de apoio à amamentação destinada a oferecer às servidoras um espaço adequado para amamentar ou realizar a ordenha e armazenar o leite.

Dados mostram avanço, mas também expõem desigualdades

O resultado de 57% divulgado pelo Ministério da Saúde precisa ser interpretado com atenção: ele representa os bebês de zero a seis meses acompanhados pela Atenção Primária do SUS, e não necessariamente todas as crianças brasileiras nessa faixa etária.

Outro levantamento citado pelo próprio Ministério, o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), apontou prevalência de 45,8% de aleitamento materno exclusivo entre crianças brasileiras de zero a seis meses na população estudada.

A diferença entre os levantamentos reforça a importância de ampliar o acompanhamento das famílias e melhorar continuamente as políticas de incentivo, proteção e apoio à amamentação.

Nordeste tem papel importante na continuidade do aleitamento

A discussão também ganha relevância regional. Dados apresentados pelo Senado Federal em 2025 mostraram que o aleitamento materno continuado até os dois anos apresentou índice de 48% no Nordeste, acima da média nacional registrada naquele levantamento para a faixa etária analisada.

Isso mostra que a região possui avanços importantes, mas também enfrenta desafios relacionados às condições sociais, ao acesso aos serviços de saúde, à rede de apoio familiar e às condições de trabalho das mães.

Populações indígenas também são acompanhadas

No caso das populações indígenas atendidas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Alagoas e Sergipe (DSEI AL/SE), o planejamento oficial do Ministério da Saúde estabelece metas específicas para ampliar o aleitamento materno exclusivo entre crianças indígenas menores de seis meses.

O plano distrital prevê chegar a 88% até 2027, partindo de indicadores registrados no planejamento da saúde indígena.

O dado mostra que o desafio da amamentação envolve diferentes realidades dentro do próprio território alagoano e exige políticas adaptadas às características de cada população.

Agosto Dourado reforça importância da rede de apoio

A campanha do Agosto Dourado ganha ainda mais relevância diante dos números divulgados neste mês.

Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno tem como foco “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”, com atenção à ampliação de políticas, serviços e práticas que já apresentam resultados positivos na proteção e no apoio à amamentação.

Para as famílias alagoanas, o desafio não se resume a orientar a mulher sobre a importância do leite materno. É necessário garantir acompanhamento desde o pré-natal, assistência no parto e pós-parto, profissionais capacitados, bancos e postos de coleta de leite humano e condições para que a mãe consiga continuar amamentando.

Em Maceió, a estrutura existente e o volume de leite humano encaminhado às maternidades mostram que parte dessa rede já está em funcionamento. A ampliação dessas iniciativas, porém, continua sendo fundamental para que mais crianças tenham acesso ao aleitamento recomendado nos primeiros meses de vida.

Os principais números

  • 57% dos bebês de até seis meses acompanhados pela Atenção Primária do SUS estavam em aleitamento materno exclusivo em 2025;
  • 59% é o índice parcial registrado pelo Sisvan até agosto de 2026;
  • 60% é a meta da OMS para aleitamento materno exclusivo até 2030;
  • Mais de mil litros de leite humano foram disponibilizados para maternidades públicas de Maceió;
  • Dois postos públicos de coleta de leite humano funcionam atualmente na capital alagoana;
  • 88% é a meta estabelecida para 2027 no planejamento do DSEI Alagoas e Sergipe para crianças indígenas menores de seis meses em aleitamento materno exclusivo.