Um bar em Pequim, na China, encontrou uma maneira inusitada de reunir tecnologia e vida noturna. O AGI Bar, localizado no distrito de Zhongguancun, um dos principais polos tecnológicos da capital chinesa, se tornou ponto de encontro de desenvolvedores de inteligência artificial (IA), investidores, pesquisadores e estudantes.

Aberto em 2025 pelo desenvolvedor independente de IA Song De, o estabelecimento fica próximo às universidades de Tsinghua e Pequim e a escritórios de empresas de tecnologia, incluindo a própria DeepSeek e a Microsoft. O espaço promove encontros de desenvolvedores, seminários, eventos sobre inteligência artificial de código aberto e reuniões acadêmicas.

A proposta do proprietário é transformar o bar em uma espécie de espaço público para a comunidade de tecnologia. A combinação parece funcionar: pessoas ligadas a diferentes laboratórios, empresas concorrentes e universidades costumam se encontrar no local para conversar sobre as tendências do setor.

Bebida dá acesso ao DeepSeek

Uma das principais atrações do AGI Bar é a bebida que leva o mesmo nome do estabelecimento. O produto custa 9,9 yuans, cerca de US$ 1,50, e dá aos clientes acesso gratuito e ilimitado a tokens do DeepSeek para atividades de programação.

O serviço funciona por meio da rede Wi-Fi do estabelecimento e utiliza dois computadores Nvidia DGX Spark, instalados no próprio bar. A ideia é permitir que frequentadores utilizem ferramentas de inteligência artificial enquanto conversam ou trabalham no local.

O nome chinês registrado pelo estabelecimento faz referência à expressão “destilação de conhecimento”, um conceito utilizado no desenvolvimento de modelos de IA. A escolha também cria um trocadilho com a destilação de bebidas alcoólicas.

Para Song De, a relação entre álcool e inteligência artificial pode ser resumida em três palavras: alucinações, bolhas e destilação.

Bar automatizado por inteligência artificial

A tecnologia não está presente apenas nos computadores disponíveis aos clientes. O próprio funcionamento do estabelecimento utiliza inteligência artificial.

Segundo o proprietário, sistemas de estoque, reservas, serviços, iluminação e gerenciamento de membros foram conectados a ferramentas de IA para automatizar tarefas consideradas repetitivas. A intenção é reduzir o trabalho humano em atividades operacionais que podem ser realizadas por sistemas automatizados.

O estabelecimento, entretanto, ainda está longe de ser um negócio lucrativo. Song De afirmou à Reuters que o bar opera no prejuízo e que a quantidade de bebidas distribuídas gratuitamente chega a ser dez vezes maior do que o volume vendido.

Robôs humanoides devem fazer parte do atendimento

O próximo passo do projeto é levar a automação para o atendimento. O proprietário pretende utilizar robôs humanoides para servir bebidas aos clientes.

A ideia acompanha um movimento maior da indústria chinesa de robótica, que vem acelerando o desenvolvimento de máquinas capazes de executar tarefas em ambientes reais.

A China responde atualmente por uma parcela dominante das remessas globais de robôs humanoides. Segundo dados citados pela Reuters, mais de 40 mil unidades foram entregues no país apenas no primeiro semestre de 2026.

Song também pretende ampliar o espaço do bar em Pequim diante da procura e já abriu uma unidade em Xangai, em junho.

Um retrato da corrida chinesa pela IA

O AGI Bar acabou se transformando em um símbolo curioso da expansão da inteligência artificial na China. Em vez de ficar restrita a laboratórios, universidades e grandes empresas, a tecnologia passou a fazer parte também de ambientes cotidianos de convivência.

O local reúne profissionais de empresas diferentes e estudantes que podem trocar informações e discutir projetos em um ambiente informal. A proximidade com universidades e empresas de tecnologia ajuda a explicar a concentração desse público.

A iniciativa também ocorre em um momento de forte expansão da indústria chinesa de inteligência artificial e robótica. Empresas do país disputam espaço no mercado internacional enquanto Pequim incentiva o desenvolvimento de tecnologias consideradas estratégicas.

No AGI Bar, essa transformação aparece de uma maneira pouco convencional: uma bebida barata, acesso gratuito ao DeepSeek, computadores de alto desempenho e a promessa de garçons robôs.