O Brasil completa, neste mês de julho, um ano desde que deixou o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), resultado alcançado após o percentual da população em situação de subalimentação cair para menos de 2,5%, índice utilizado internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Apesar do avanço, especialistas alertam que o país ainda enfrenta um grande desafio: cerca de 6,5 milhões de brasileiros permanecem em situação de insegurança alimentar grave.

A saída do Mapa da Fome representa um importante reconhecimento internacional das políticas de combate à pobreza e de promoção da segurança alimentar. No entanto, pesquisadores destacam que manter esse resultado dependerá da continuidade de ações voltadas à geração de emprego e renda, fortalecimento da agricultura familiar, acesso à educação, saúde e programas de assistência social.

O que essa conquista representa para Alagoas

Em Alagoas, estado que historicamente enfrentou elevados índices de vulnerabilidade social, a permanência do Brasil fora do Mapa da Fome tem impacto direto sobre milhares de famílias.

Nos últimos anos, programas de transferência de renda, ampliação da alimentação escolar, fortalecimento da agricultura familiar e iniciativas de segurança alimentar contribuíram para reduzir situações de extrema pobreza em diversas regiões do estado. Ainda assim, especialistas afirmam que municípios do Sertão, do Agreste e da Zona da Mata continuam exigindo atenção permanente das políticas públicas.

A produção da agricultura familiar alagoana também exerce papel importante nesse cenário. Além de abastecer feiras livres e mercados municipais, muitos agricultores fornecem alimentos para a merenda escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), fortalecendo a economia local e garantindo alimentos mais saudáveis para estudantes da rede pública.

Economia e geração de renda continuam sendo fundamentais

Especialistas ouvidos por diferentes instituições apontam que a redução da fome está diretamente relacionada ao crescimento do emprego, à recuperação da renda das famílias, à desaceleração da inflação dos alimentos e ao fortalecimento de programas sociais.

Para economistas, o desafio agora é transformar esses avanços em resultados permanentes, evitando que oscilações econômicas ou crises futuras provoquem retrocessos. A avaliação é que o combate à fome não depende apenas da distribuição de renda, mas também da criação de oportunidades de trabalho, do acesso à educação e da valorização da produção agrícola regional.

Repercussão

A permanência do Brasil fora do Mapa da Fome foi recebida como um indicador positivo por entidades ligadas à segurança alimentar, universidades e organizações da sociedade civil. Ao mesmo tempo, especialistas reforçam que o dado não significa o fim da pobreza nem da insegurança alimentar.

Segundo a FAO, sair do Mapa da Fome indica que menos de 2,5% da população sofre de subalimentação crônica, mas isso não elimina situações de vulnerabilidade enfrentadas por milhões de brasileiros. Por isso, a recomendação é ampliar políticas públicas voltadas à inclusão produtiva, ao acesso regular a alimentos de qualidade e ao fortalecimento das redes de proteção social.

Perspectivas para Alagoas

Em Alagoas, o desafio passa pela continuidade dos investimentos em agricultura familiar, abastecimento alimentar, assistência social e geração de emprego. Especialistas avaliam que o estado possui potencial para ampliar sua produção agrícola, fortalecer pequenos produtores e consolidar políticas de combate à insegurança alimentar, especialmente nas regiões mais vulneráveis.

Embora o marco de um ano fora do Mapa da Fome seja motivo de reconhecimento internacional, a avaliação predominante é que a conquista somente será sustentável se houver políticas públicas permanentes capazes de garantir alimentação adequada, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades sociais em todo o país — incluindo Alagoas.