O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos contra brasileiros e empresas investigados por suposta ligação com organizações criminosas não substituem o trabalho realizado pelas instituições brasileiras. Em declaração à imprensa, o ministro defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas ressaltou que a condução das investigações e das ações de segurança pública cabe às autoridades do Brasil.
Segundo Durigan, o governo brasileiro vê com preocupação a possibilidade de medidas unilaterais adotadas por outros países provocarem impactos sobre empresas que atuam legalmente no Brasil. Para o ministro, o compartilhamento de informações entre as autoridades é bem-vindo, porém eventuais sanções devem respeitar a soberania nacional e os mecanismos de cooperação previstos no direito internacional.
As declarações ocorreram após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções contra dois brasileiros e empresas apontadas como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As medidas incluem o bloqueio de bens e ativos sob jurisdição norte-americana, além da proibição de transações financeiras envolvendo cidadãos e empresas dos Estados Unidos.
Durante a entrevista, Durigan destacou que órgãos brasileiros, como a Polícia Federal, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), possuem estrutura para investigar crimes financeiros e combater organizações criminosas. Na avaliação do ministro, a atuação dessas instituições demonstra que o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentar a lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados ao crime organizado.
O ministro também alertou para os possíveis reflexos econômicos de sanções internacionais. Segundo ele, medidas adotadas por governos estrangeiros podem gerar insegurança para empresas, instituições financeiras e meios de pagamento utilizados pela população, caso atinjam organizações sem ligação comprovada com atividades ilícitas. Por isso, o governo brasileiro defende que qualquer cooperação internacional ocorra com base em provas e no intercâmbio de informações entre as autoridades competentes.
O episódio amplia o debate sobre os limites da atuação extraterritorial de governos estrangeiros e ocorre em um momento de maior tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, que também discutem temas ligados ao comércio exterior, ao sistema financeiro e ao combate às organizações criminosas transnacionais. Enquanto isso, as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras sobre os suspeitos seguem em andamento.
