Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações comerciais para tentar reduzir os efeitos das novas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. A reabertura do diálogo ocorre depois de uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
A reunião será realizada de forma virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O encontro representa uma tentativa de reconstruir o canal de negociação entre os dois governos em meio à entrada em vigor de sobretaxas que, em determinados casos, podem elevar a cobrança sobre produtos brasileiros para 37,5%.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as medidas anunciadas pelos Estados Unidos estabelecem sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações provenientes do Brasil. Juntas, elas alcançam 23,1% das exportações brasileiras, enquanto 52,7% permanecem sem tarifas adicionais específicas contra o país.
Governo brasileiro tenta ampliar exceções
Um dos principais objetivos da delegação brasileira é ampliar a quantidade de produtos que ficaram fora das sobretaxas.
A lista de exceções já contempla uma parcela significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos, mas o governo pretende negociar a inclusão de outros produtos para reduzir os prejuízos provocados pelas novas tarifas.
Entre os setores que acompanham as negociações estão indústria, agronegócio, mineração e empresas que dependem do mercado norte-americano.
O governo brasileiro também deverá apresentar argumentos contrários às justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para a aplicação das tarifas.
Tarifas podem chegar a 37,5%
As cobranças foram estabelecidas por meio de duas medidas adotadas pelo governo Trump.
Uma delas criou uma sobretaxa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A outra estabeleceu uma tarifa adicional de 12,5% para produtos relacionados a uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
Quando as duas cobranças incidem sobre um mesmo produto, a carga adicional pode alcançar 37,5%.
O MDIC informou que as medidas foram publicadas pelos Estados Unidos nos dias 15 e 23 de julho e possuem alcances diferentes sobre as exportações brasileiras.
Retomada ocorreu após conversa entre Lula e Trump
O reinício das negociações foi articulado depois de uma conversa entre Lula e Trump, realizada em 21 de agosto.
Após o contato entre os presidentes, o Ministério do Desenvolvimento recebeu comunicação de Jamieson Greer para a retomada das tratativas.
Em nota divulgada na ocasião, o governo brasileiro afirmou que a sinalização dos dois presidentes abriu um novo canal de diálogo e reforçou a possibilidade de uma solução negociada.
Apesar da retomada das conversas, o governo brasileiro mantém a estratégia de defender os interesses nacionais e já acionou mecanismos previstos na legislação brasileira em resposta às medidas comerciais americanas.
Brasil busca evitar impacto sobre exportações
As tarifas preocupam setores empresariais porque podem reduzir a competitividade de produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Uma sobretaxa mais elevada tende a encarecer as mercadorias brasileiras para compradores dos Estados Unidos, o que pode favorecer concorrentes de outros países.
Entidades empresariais vêm defendendo a continuidade das negociações e a busca por uma solução que preserve o acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano.
O impacto também pode variar bastante entre os setores, já que parte das exportações ficou fora das novas cobranças.
Relação comercial é estratégica
Estados Unidos e Brasil mantêm uma das principais relações comerciais do país. O mercado norte-americano é importante para produtos brasileiros de diferentes segmentos, incluindo manufaturados, alimentos, aeronaves, café, carnes e outros itens.
Por isso, a redução das barreiras comerciais é considerada uma questão estratégica para empresas exportadoras.
O governo brasileiro tenta transformar a retomada do diálogo em uma negociação mais ampla, com o objetivo de ampliar as exceções e reduzir a quantidade de produtos submetidos às tarifas.
Negociação ainda deve ser longa
Apesar da reabertura do canal diplomático e comercial, não há garantia de que um acordo seja alcançado imediatamente.
As equipes dos dois países ainda precisam discutir quais produtos poderão ser retirados das listas de sobretaxação e quais condições Washington exigirá para rever as medidas.
O governo brasileiro pretende manter a negociação, mas também afirma que continuará utilizando os instrumentos disponíveis para proteger os interesses comerciais do país.
A reunião desta segunda-feira é, portanto, o primeiro passo de uma nova etapa nas relações comerciais entre Brasília e Washington.
Entenda as tarifas
- 25%: sobretaxa adicional aplicada pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros;
- 12,5%: segunda sobretaxa estabelecida sobre outra parcela das importações;
- Até 37,5%: carga adicional que pode resultar da aplicação simultânea das duas medidas sobre determinados produtos;
- 23,1%: participação das exportações brasileiras alcançada pelas novas medidas, segundo o MDIC;
- 52,7%: parcela das exportações que permanece sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.
