As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central reduziram novamente as projeções para a inflação e para o crescimento da economia brasileira em 2026. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (31).
A expectativa mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, passou de 5,02% para 5,01% neste ano.
Apesar da pequena redução, a projeção permanece acima do centro da meta de inflação, estabelecida em 3% pelo Conselho Monetário Nacional, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado também ficou mais cauteloso. A previsão de crescimento da economia em 2026 caiu de 1,95% para 1,92%, na segunda revisão consecutiva para baixo.
A projeção para 2027, por outro lado, permaneceu em 1,50%.
Inflação de 2027 volta a subir
Enquanto a expectativa para este ano recuou, os analistas elevaram a previsão para a inflação de 2027.
A mediana para o IPCA do próximo ano passou de 4,25% para 4,28%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,80%.
O cenário mostra que, embora o mercado esteja observando uma desaceleração da inflação no curto prazo, ainda existe preocupação com a trajetória dos preços nos próximos anos.
Entre os fatores de atenção estão os preços dos serviços, a atividade econômica e as condições do mercado de trabalho, que continuam contribuindo para manter pressões sobre a inflação.
Dados recentes mostram alívio nos preços
A revisão das expectativas ocorre depois de uma leitura mais favorável da inflação no mês de agosto.
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, registrou deflação de 0,40% em agosto, após alta de 0,06% em julho. Foi a primeira queda do indicador em um ano.
O resultado foi influenciado principalmente pela redução das tarifas de energia elétrica, além de quedas em alimentos e transportes. Em 12 meses, o índice ficou abaixo do teto da meta de inflação.
Apesar do resultado positivo, economistas alertam que uma única leitura não é suficiente para indicar uma mudança definitiva na trajetória dos preços.
Selic permanece em 13,75%
O mercado manteve em 13,75% ao ano a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, no encerramento de 2026.
A manutenção da expectativa ocorre em um cenário no qual o Banco Central continua atento à inflação acima do centro da meta e às condições da economia.
A taxa de juros elevada tende a encarecer o crédito e pode contribuir para reduzir o consumo e os investimentos, ajudando a conter a inflação. Por outro lado, também exerce pressão sobre a atividade econômica, o que ajuda a explicar parte das revisões para baixo nas estimativas de crescimento.
Dólar deve terminar o ano em R$ 5,40
Para a taxa de câmbio, a expectativa do mercado permaneceu em R$ 5,40 por dólar no fim de 2026.
A projeção para 2027 também ficou em R$ 5,40.
O comportamento do câmbio é acompanhado de perto pelo mercado porque uma valorização ou desvalorização significativa do real pode afetar preços de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e outros componentes da inflação.
Mercado projeta crescimento moderado
A nova estimativa de 1,92% para o PIB reforça a percepção de que a economia brasileira deverá crescer em ritmo moderado neste ano.
A revisão acontece às vésperas da divulgação dos dados oficiais do PIB do segundo trimestre pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevista para esta terça-feira (1º).
O desempenho da atividade no segundo trimestre será importante para avaliar se a desaceleração prevista pelo mercado já está aparecendo de forma mais clara nos números oficiais.
O cenário também é acompanhado pelo Banco Central na definição da política monetária, já que juros elevados tendem a reduzir a demanda e, consequentemente, a atividade econômica.
Focus reúne expectativas do mercado
O Relatório Focus é elaborado pelo Banco Central a partir das expectativas de instituições financeiras e empresas do mercado para os principais indicadores econômicos.
As projeções são atualizadas semanalmente e incluem estimativas para inflação, crescimento do PIB, taxa de câmbio, Selic, resultado primário e outros indicadores.
É importante destacar que os números do Focus não representam previsões do Banco Central, mas a mediana das expectativas dos agentes consultados pela instituição.
Principais projeções do Focus
2026
- IPCA: 5,01%
- PIB: 1,92%
- Selic: 13,75%
- Dólar: R$ 5,40
2027
- IPCA: 4,28%
- PIB: 1,50%
- Dólar: R$ 5,40
Os números mostram um mercado ligeiramente mais otimista em relação à inflação e, ao mesmo tempo, mais cauteloso quanto ao ritmo de crescimento da economia brasileira em 2026.
