O governo brasileiro prepara uma resposta diplomática aos Estados Unidos após a decisão de Washington de revogar o visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois governos e deve levar o Itamaraty a avaliar ações baseadas no princípio da reciprocidade.
A estratégia prevê que o Brasil possa adotar medidas equivalentes às impostas pelos Estados Unidos, caso a decisão seja mantida. O tema está sendo analisado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e envolve diretamente o Ministério das Relações Exteriores.
Maria Luiza Ribeiro Viotti é uma diplomata de carreira e foi indicada por Lula para representar o Brasil em Washington. A escolha de seu nome foi submetida ao Senado Federal e integra a trajetória de uma diplomata que já ocupou postos importantes na política externa brasileira.
Reciprocidade pode orientar resposta
O princípio da reciprocidade já é utilizado pelo Brasil em sua política externa, inclusive em questões relacionadas à entrada de estrangeiros no país. A orientação adotada pelo governo brasileiro estabelece que decisões envolvendo cidadãos brasileiros podem receber tratamento equivalente por parte do Brasil.
A lógica também está presente na relação bilateral com os Estados Unidos. O Brasil, por exemplo, voltou a exigir visto de cidadãos norte-americanos após o governo Lula retomar uma política baseada na igualdade de tratamento entre os países.
A eventual resposta à decisão norte-americana, no entanto, deverá ser definida pelo governo brasileiro levando em consideração os impactos diplomáticos e políticos da medida.
Relação entre Brasil e EUA enfrenta período de tensão
A questão envolvendo a embaixadora ocorre em um momento de relações mais delicadas entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, os dois países passaram a divergir em temas comerciais e políticos, aumentando a pressão sobre os canais diplomáticos.
O Brasil mantém nos Estados Unidos uma de suas principais representações diplomáticas, enquanto os dois países possuem relações econômicas e comerciais relevantes. O Itamaraty, portanto, precisa equilibrar uma eventual resposta à decisão de Washington com a necessidade de preservar os canais de diálogo.
A tendência é que o governo brasileiro avalie cuidadosamente os próximos passos antes de anunciar qualquer medida oficial.
