O Palácio do Planalto avalia que são praticamente nulas as chances de acelerar, neste momento, a análise do nome indicado pelos Estados Unidos para assumir a embaixada do país no Brasil. A avaliação ocorre em meio ao agravamento da tensão diplomática entre Brasília e Washington.

Segundo integrantes do governo ouvidos pela imprensa, a crise provocada pelo cancelamento do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, tende a prolongar o impasse e pode dificultar qualquer tentativa de acelerar a tramitação da indicação do representante norte-americano.

A indicação de embaixadores estrangeiros depende de um processo diplomático e político que envolve o país de origem e o governo brasileiro. No Senado, cabe ao plenário apreciar indicações para chefias de missões diplomáticas permanentes.

Crise aumenta resistência no Congresso

A avaliação no Planalto é de que a decisão dos Estados Unidos envolvendo Viotti torna ainda mais difícil construir um ambiente político favorável à aprovação rápida do representante de Washington.

A embaixadora brasileira teve o visto cancelado pelo governo norte-americano. O Departamento de Estado, porém, informou que a medida não equivale a uma expulsão. Viotti permanece no centro da crise diplomática entre os dois países e, até o momento, não há previsão de retorno dela ao Brasil.

O episódio ocorre em um momento de forte desgaste na relação entre Brasil e Estados Unidos. Diante desse cenário, integrantes do governo Lula consideram que a tramitação do nome indicado por Washington dificilmente será tratada como prioridade.

Senado tem papel decisivo

A Constituição Federal estabelece que compete privativamente ao Senado aprovar previamente, por voto secreto, após arguição, os chefes de missão diplomática de caráter permanente.

O procedimento normalmente começa com a análise do indicado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). Depois, caso aprovado, o nome segue para votação no plenário.

O Senado tem analisado diversas indicações de embaixadores ao longo de 2026. Em maio, por exemplo, o plenário aprovou nomes para postos diplomáticos no Japão, Omã, Vietnã, Belize e Bahamas, entre outros países.

No caso do representante dos Estados Unidos, entretanto, o ambiente político é considerado especialmente delicado por causa da crise atual.

Tensão deve continuar

Dentro do governo brasileiro, a expectativa é de que a crise diplomática continue repercutindo nas relações entre os dois países nas próximas semanas.

A avaliação de integrantes do Planalto é que qualquer movimento para acelerar a aprovação do embaixador norte-americano poderia perder força diante de novas medidas ou declarações de Washington.

O governo Lula, por enquanto, acompanha os próximos passos dos Estados Unidos e avalia como responder à decisão envolvendo a diplomata brasileira, sem descartar medidas baseadas no princípio da reciprocidade.