O Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O número representa um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior e uma alta de 429,8% na comparação com 2018, quando foram contabilizados 426.799 casos.
O levantamento mostra que o estelionato se consolidou como o principal crime patrimonial do país. Em oito anos, o número de registros praticamente quintuplicou, acompanhando a expansão das relações digitais e a popularização de ferramentas utilizadas para a aplicação de golpes.
Entre as modalidades mais comuns estão fraudes envolvendo cartões bancários, falsas centrais de atendimento, mensagens enviadas por aplicativos de comunicação e golpes praticados por meio de transferências eletrônicas.
A evolução dos números também revela uma mudança no perfil da criminalidade. Enquanto crimes patrimoniais tradicionais, como roubos e furtos, apresentam redução em diferentes regiões do país, os estelionatos seguem em trajetória de crescimento, principalmente aqueles praticados no ambiente virtual.
Golpes digitais avançam
Os dados do levantamento apontam que os registros de estelionato praticado por meio eletrônico aumentaram 20,6% entre 2024 e 2025. O número passou de 286.226 para 346.753 ocorrências no período.
A facilidade de contato com as vítimas e a possibilidade de agir à distância estão entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento desse tipo de crime. Com o uso de técnicas de engenharia social, criminosos procuram criar situações de urgência para convencer as vítimas a fornecer informações ou realizar transferências financeiras.
Entre as estratégias utilizadas estão mensagens que simulam pedidos de familiares, contatos falsos de instituições bancárias e abordagens que prometem vantagens financeiras ou investimentos com altos retornos.
O avanço da tecnologia também permite que os criminosos utilizem identidades falsas e diferentes mecanismos para dificultar a identificação e a investigação das fraudes.
Responsabilização é desafio
Além do aumento no número de registros, outro desafio apontado no cenário dos estelionatos é a dificuldade de transformar as ocorrências em investigações que resultem na responsabilização dos autores.
A dinâmica dos golpes virtuais, muitas vezes praticados por criminosos que atuam de diferentes estados ou até de outros países, dificulta o trabalho das autoridades. A identificação dos responsáveis também pode ser prejudicada pelo uso de contas bancárias de terceiros, documentos falsos e ferramentas digitais.
Especialistas avaliam que o combate a esse tipo de crime exige uma atuação integrada entre órgãos de segurança, instituições financeiras e empresas de tecnologia.
Alagoas também registra aumento
Os dados disponíveis no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, com informações referentes a 2024, mostram que Alagoas registrou 25.471 ocorrências de estelionato naquele ano, contra 22.176 casos em 2023. O crescimento foi de 14,8%.
No mesmo período, os registros de estelionato praticado por meio eletrônico no estado passaram de 5.884 para 7.407 ocorrências, uma alta de 25,8%.
Os números reforçam a expansão dos crimes praticados com o auxílio de ferramentas digitais e acompanham uma tendência observada em diferentes estados brasileiros.
Atenção aos golpes
Com a expansão das fraudes digitais, especialistas recomendam que consumidores redobrem a atenção diante de mensagens ou ligações que solicitem transferências de dinheiro, dados bancários ou informações pessoais.
Desconfiar de pedidos urgentes, confirmar a identidade de quem está fazendo o contato e evitar clicar em links enviados por desconhecidos são algumas das medidas que podem reduzir o risco de cair em golpes.
O cenário nacional mostra que o estelionato deixou de ser um problema restrito às ruas e passou a ocupar cada vez mais espaço no ambiente digital. O crescimento contínuo das ocorrências representa um desafio para as autoridades e exige também maior conscientização da população diante das novas estratégias utilizadas por criminosos.
