As eleições de 2026 podem produzir resultados bastante diferentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Enquanto a Câmara tende a preservar boa parte dos atuais parlamentares, o Senado poderá passar por uma mudança significativa na composição a partir de 2027.
Levantamento divulgado nesta semana mostra que cerca de 85% dos atuais deputados federais estão registrados para disputar a reeleição. Dos 513 parlamentares que integram a Câmara, 434 buscam permanecer no cargo, enquanto outros deputados concorrem a diferentes funções ou não participam da disputa.
A taxa elevada de candidaturas à reeleição indica uma tendência de baixa renovação na Câmara, embora o resultado final dependa do desempenho de cada candidato nas urnas e da distribuição das vagas pelo sistema proporcional.
A Câmara dos Deputados possui 513 cadeiras, distribuídas entre os estados e o Distrito Federal. Os parlamentares são eleitos para mandatos de quatro anos e representam a população.
Senado terá dois votos por eleitor
No Senado, o cenário é diferente. Em 2026, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, o equivalente a dois terços da composição da Casa.
Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, e cada eleitor terá dois votos para o cargo. A última vez em que uma quantidade semelhante de vagas foi renovada ocorreu nas eleições de 2018.
Segundo dados do Senado Federal, até o momento são 314 pedidos de registro de candidatura para as 54 vagas disponíveis, uma média de aproximadamente 5,8 candidatos por cadeira. Entre os atuais senadores, 32 tentam conquistar um novo mandato.
Mesmo com parte dos parlamentares buscando a reeleição, a quantidade de cadeiras em disputa abre espaço para uma alteração expressiva no perfil político da Casa.
Possível mudança no equilíbrio entre partidos
O resultado das urnas também poderá alterar a correlação de forças dentro do Congresso Nacional.
Na avaliação de especialistas ouvidos em levantamentos sobre a eleição, a disputa para o Senado pode provocar mudanças importantes nas bancadas partidárias, especialmente entre os grupos de direita e centro-direita. A presença de novos nomes poderá modificar as alianças e a composição das principais comissões e da Mesa Diretora a partir de 2027.
Na Câmara, a tendência de maior permanência dos atuais deputados pode favorecer a continuidade das bancadas que já possuem forte presença no Legislativo. Ainda assim, mudanças de partido, migrações para cargos no Executivo e derrotas nas urnas podem alterar o tamanho das bancadas.
Alagoas também terá disputa por vagas
Em Alagoas, a eleição para o Legislativo federal terá particular importância. O estado escolherá nove deputados federais e dois senadores em outubro.
Entre os atuais deputados alagoanos, a disputa também apresenta movimentações que podem influenciar a composição da bancada a partir de 2027. O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), por exemplo, aparece entre os nomes que deixaram a disputa pela Câmara para concorrer ao Senado.
A movimentação dos parlamentares em busca de outros cargos pode contribuir para uma renovação maior da bancada alagoana do que a tendência observada no cenário nacional.
Eleição acontece em outubro
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. Além de presidente e governadores, os eleitores escolherão senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Os resultados definirão a composição do Congresso para o período de 2027 a 2030 e poderão influenciar diretamente a relação entre o futuro governo federal e o Legislativo.
Na Câmara, os números atuais apontam para a continuidade de grande parte dos parlamentares. No Senado, entretanto, a quantidade de cadeiras submetidas ao voto torna possível uma mudança muito mais ampla na composição da Casa.
