Criar espaços onde adolescentes autistas possam se reconhecer, compartilhar experiências e desenvolver novas habilidades é um dos objetivos dos encontros terapêuticos promovidos pela Casa do Autista de Maceió. A iniciativa reúne jovens às sextas-feiras em atividades planejadas por uma equipe especializada, transformando o ambiente em um espaço de acolhimento, pertencimento e construção de vínculos, fundamentais para o desenvolvimento emocional e social.
Mais do que uma atividade em grupo, os encontros são estruturados para estimular a comunicação, a autonomia e a interação entre adolescentes que vivenciam desafios semelhantes. Em um ambiente seguro e mediado por profissionais qualificados, cada dinâmica é pensada para incentivar o diálogo, o respeito às diferenças e o fortalecimento das relações interpessoais.
De acordo com o neuropsicólogo da Casa do Autista, Reubes José Moura Junior, a adolescência representa um período de intensas transformações e, para jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse processo pode exigir oportunidades específicas de aprendizagem e convivência.
"A adolescência é uma fase marcada por importantes mudanças emocionais, sociais e comportamentais. Para muitos adolescentes autistas, habilidades como iniciar conversas, expressar sentimentos, compreender diferentes perspectivas e construir amizades podem demandar oportunidades estruturadas de aprendizado e prática. Por isso, intervenções grupais realizadas em ambiente seguro e mediadas por profissionais qualificados representam uma importante ferramenta terapêutica para o desenvolvimento da comunicação social, da autonomia e da confiança nas relações interpessoais", detalhou.
Os encontros têm como foco a integração dos participantes e a construção de uma identidade coletiva. Por meio de dinâmicas de apresentação e interação, os adolescentes podem compartilhar vivências, exercitar a comunicação e dar os primeiros passos na formação de um ambiente baseado na confiança e no respeito mútuo.
"Nossos objetivos são acolher, integrar e construir uma identidade de grupo. Através de dinâmicas de apresentação e interação, os participantes podem compartilhar experiências, exercitar a comunicação e iniciar a construção de um espaço de confiança mútua", explica Reubes.
A proposta faz parte do modelo de assistência da Casa do Autista, que oferece um cuidado integral, considerando não apenas os aspectos clínicos, mas também o desenvolvimento das competências sociais, emocionais e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com TEA.
"Cada sorriso, cada troca de experiência e cada nova interação reforçam nosso compromisso em oferecer intervenções baseadas em planejamento, evidências e cuidado. Acreditamos que desenvolvimento acontece quando técnica, organização e afeto caminham juntos", acrecenta a diretora-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa.
A Casa do Autista conta com uma equipe multiprofissional formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pedagogos, musicoterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e educadores físicos.
Como ter acesso aos serviços
Para ter acesso aos serviços da Casa do Autista, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, nº 2335, no bairro Farol. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência, encaminhamento médico da criança ou adolescente e os documentos do responsável legal.
Após a abertura do processo, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos, priorizando pacientes que ainda não recebem atendimento na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que aguardam na fila da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Depois da avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, incluindo a Casa do Autista. Quando a demanda supera a capacidade de atendimento, os usuários permanecem em lista de espera, obedecendo aos critérios técnicos e de prioridade.
A Casa do Autista é administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência da gestão das unidades municipais de saúde. A instituição atua com foco em boas práticas de governança, inovação e qualidade assistencial, promovendo uma atenção cada vez mais humanizada para a população de Maceió.
