O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), deve sinalizar resistência a uma aliança formal com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República em 2026. A tendência ganhou força após o dirigente identificar que a maior parte das bases do partido prefere que a legenda adote uma posição de neutralidade na eleição.

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (22), cerca de 90% das bases do PP defenderiam que o partido não declare apoio oficial a nenhum dos candidatos ao Palácio do Planalto. A avaliação é de que a neutralidade permitiria maior liberdade para as alianças e articulações políticas nos estados.

Flávio Bolsonaro busca o apoio de Ciro Nogueira e também do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. As duas legendas integram uma federação partidária, o que torna a decisão sobre o posicionamento nacional mais complexa.

A expectativa é de que Ciro e Flávio se reúnam nesta quarta-feira para discutir o cenário eleitoral. Apesar das conversas, a tendência apontada por interlocutores é de que o presidente do PP mantenha a posição favorável à neutralidade da legenda.

Desgaste entre Ciro e Flávio

A relação política entre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro, que já foi marcada por proximidade, sofreu desgaste nos últimos meses. Um dos fatores apontados por aliados do presidente do PP foi a reação de Flávio após uma operação da Polícia Federal que teve Ciro entre os alvos, no contexto das investigações relacionadas ao caso Banco Master.

O episódio teria contribuído para enfraquecer as negociações de uma aliança entre o PP e o PL. Antes do aumento da resistência interna, o Progressistas chegou a discutir a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro e participar da composição de sua chapa presidencial.

Decisão pode impactar articulação para 2026

A eventual neutralidade do PP pode representar um revés para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que busca ampliar o apoio político além do núcleo mais próximo do bolsonarismo.

A federação formada por PP e União Brasil reúne uma estrutura política relevante e possui forte presença no Congresso Nacional e nos estados. Por isso, a definição sobre o apoio à corrida presidencial é considerada estratégica para os partidos que participam das negociações para 2026.

Caso a neutralidade seja confirmada, os integrantes das duas legendas poderão ter maior liberdade para apoiar diferentes candidatos nos estados, enquanto a decisão sobre uma eventual aliança nacional ficará em aberto.

As articulações devem continuar nas próximas semanas, em meio ao calendário eleitoral e às negociações entre as principais forças políticas que se preparam para a disputa presidencial de 2026.