A atriz Deborah Secco vive um momento de transformação na carreira e na vida pessoal. Aos 36 anos, a artista olha para as diferentes fases que atravessou e reconhece que, durante muito tempo, criou versões de si mesma para conseguir se encaixar no que esperavam dela.
A reflexão aparece em entrevista publicada pelo O Globo nesta quinta-feira (13). A atriz resumiu esse processo ao afirmar que criou “personas para caber no mundo”. A declaração ocorre em meio a uma mudança de prioridades, com Deborah escolhendo trabalhos que ofereçam maior flexibilidade e espaço para a vida pessoal.
O momento também coincide com o lançamento de “Bruna Surfistinha 2”, sequência do filme de 2011 que marcou profundamente a trajetória da atriz. Para Deborah, voltar à personagem representa mais do que a retomada de um papel conhecido: é também a conclusão de uma etapa artística.
Bruna Surfistinha marca o fim de uma fase
Deborah afirmou que o segundo filme da personagem representa um encerramento de ciclo. Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, da Globo, ela explicou que não pretende abandonar a atuação, mas decidiu deixar para trás personagens essencialmente ligados à sensualidade.
A atriz contou que a decisão ganhou força durante as filmagens de “Bruna Surfistinha 2”, quando percebeu o impacto físico e emocional de interpretar novamente a personagem. Segundo ela, o trabalho serviu como uma espécie de fechamento de uma trajetória que teve a sensualidade como uma de suas marcas.
A partir de agora, Deborah afirma querer buscar personagens que tenham outras camadas e que permitam abordar histórias de mulheres em situações de vulnerabilidade.
Uma carreira construída com personagens muito diferentes
A capacidade de mudar completamente de perfil diante das câmeras sempre foi uma das características da carreira da atriz.
Deborah começou na televisão ainda criança e estreou em novelas com “Mico Preto”, em 1990. Mais tarde, ganhou projeção com trabalhos como Carol, em “Confissões de Adolescente”, e Íris, em “Laços de Família”. Em 2005, viveu sua primeira protagonista em novela, Sol, de “América”.
Vieram depois personagens como Darlene, de “Celebridade”, Natalie Lamour, de “Insensato Coração”, e diversas outras figuras que ajudaram a consolidar a atriz como um dos nomes mais versáteis de sua geração.
Em 2011, Deborah encarou um dos maiores desafios de sua carreira ao interpretar Raquel Pacheco, conhecida como Bruna Surfistinha, no cinema. O filme foi inspirado no livro “O Doce Veneno do Escorpião”, escrito por Raquel, e levou mais de 2 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros.
Personagens também ajudaram a formar a própria identidade
A relação entre a atriz e suas personagens ultrapassou o trabalho diante das câmeras. Em diferentes momentos da carreira, Deborah já falou sobre como cada papel contribuiu para sua formação profissional e pessoal.
Em entrevista à Ancine, anos atrás, ela explicou que passou a enxergar a produção audiovisual também como uma forma de ter maior controle sobre as escolhas artísticas e de expressar aquilo que gostaria de comunicar ao público.
A atriz também já avaliou sua trajetória como uma carreira construída de maneira gradual, sem depender de um único papel para alcançar reconhecimento. Em entrevista ao Gshow, destacou personagens como Carol, Íris, Darlene, Sol, Natalie Lamour, Bruna Surfistinha e Judite, de “Boa Sorte”, entre os trabalhos mais especiais de sua história profissional.
Maternidade mudou prioridades
A transformação atual também passa pela vida fora dos estúdios. Deborah tem afirmado que a maternidade mudou sua relação com o trabalho e que hoje procura projetos que permitam conciliar melhor a carreira com o tempo dedicado à filha, Maria Flor.
Em conteúdos recentes do Gshow, a atriz explicou que passou a escolher trabalhos que oferecem maior flexibilidade de agenda e possibilidade de organizar os próprios horários.
Essa mudança ajuda a explicar também o afastamento de alguns formatos tradicionais da televisão. Em vez de concentrar a carreira exclusivamente em novelas, Deborah passou a circular por diferentes áreas, incluindo cinema, streaming, apresentação e projetos próprios.
Em 2025, por exemplo, estreou como apresentadora do reality “Terceira Metade”, do Globoplay, mostrando outra faceta de sua carreira.
Da atriz que precisava se adaptar à mulher que escolhe os próprios caminhos
A fala sobre as “personas” representa, portanto, uma reflexão sobre uma carreira construída sob intensa exposição pública.
Durante décadas, Deborah precisou lidar com personagens muito diferentes, expectativas sobre sua imagem e a transformação de uma atriz que começou ainda menina em uma mulher adulta acompanhada de perto pelo público.
Agora, a artista parece estar em um momento diferente: menos preocupada em atender expectativas e mais interessada em escolher o que faz sentido para sua vida.
O encerramento da fase dos papéis sensuais não significa, segundo ela, o fim da carreira. Pelo contrário. É uma tentativa de abrir espaço para uma nova Deborah — com personagens diferentes, projetos mais alinhados à sua rotina e uma relação mais consciente com a própria imagem.
