O empresário Maurício Camisotti, investigado por participação no esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entrou na fase final de sua colaboração premiada com as autoridades.
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (27) pela CNN Brasil, Camisotti já prestou pelo menos dez depoimentos à Polícia Federal e entregou aos investigadores um organograma com nomes e funções de pessoas que, segundo seu relato, fariam parte da estrutura investigada.
A colaboração foi firmada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) e ainda depende de análise e homologação pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até que isso ocorra, eventuais benefícios previstos no acordo não estão definitivamente garantidos.
Empresário é apontado como operador financeiro
Camisotti é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um esquema de cobranças associativas não autorizadas em benefícios previdenciários.
De acordo com a CNN Brasil, a PF estima que as fraudes investigadas tenham movimentado cerca de R$ 6,5 bilhões ao longo de pelo menos seis anos. Os investigadores apontam Camisotti como um dos operadores financeiros do esquema.
O empresário também teria citado Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, como uma das pessoas que ocupavam posição central na estrutura investigada. A defesa de Antunes afirmou à CNN que desconhece as acusações feitas contra ele.
Informações podem ajudar a investigação
Ainda segundo a CNN, investigadores avaliam que os depoimentos de Camisotti contribuíram para o avanço do inquérito. Dois relatórios da Polícia Federal foram concluídos neste mês e resultaram no indiciamento de 54 pessoas apontadas como integrantes do chamado núcleo operacional.
Entre os nomes já indiciados estão o próprio “Careca do INSS”, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, além de dirigentes de associações ligadas aos aposentados. Camisotti, porém, não foi incluído nessa lista de indiciados da PF.
A colaboração também ocorre após a PF apreender mais de R$ 2 milhões em bens relacionados ao empresário, incluindo veículos, obras de arte e outros itens de alto valor.
Valores movimentados chamam atenção
Dados analisados pela CPMI do INSS, no Congresso Nacional, apontaram que três entidades investigadas teriam realizado repasses que, somados, ultrapassaram R$ 800 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 350 milhões teriam sido destinados diretamente a empresas ligadas a Camisotti.
A atuação da família Camisotti também foi discutida durante os trabalhos da CPMI. Em fevereiro, parlamentares afirmaram que integrantes da família teriam movimentado valores superiores aos atribuídos até então a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Próximos passos
Com a conclusão dos depoimentos, o material produzido na colaboração deverá seguir para as etapas finais de análise. O acordo precisa passar pela avaliação da PGR e, posteriormente, pelo ministro André Mendonça, responsável por decidir sobre a homologação no STF.
A Polícia Federal continua analisando documentos, dados obtidos durante as operações e outras informações reunidas ao longo da investigação.
A Operação Sem Desconto apura um esquema de descontos associativos realizados sem autorização em benefícios previdenciários. A PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram irregularidades envolvendo entidades que cobravam mensalidades de aposentados e pensionistas.
