O Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), deve movimentar bilhões de reais no comércio brasileiro e gerar impacto também na economia alagoana. Segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo nacional deve alcançar R$ 8,52 bilhões em vendas relacionadas à data em 2026.
O valor representa crescimento real de 2,9% em relação a 2025, já descontada a inflação, e coloca o Dia dos Pais como a quarta principal data comemorativa do calendário do comércio brasileiro em volume de vendas.
Em Maceió, o cenário também é de aquecimento. Levantamento do Instituto Fecomércio Alagoas estima que presentes e comemorações devem movimentar aproximadamente R$ 37,5 milhões na capital, valor 23,8% superior aos R$ 30,3 milhões projetados no ano passado.
Quase metade dos consumidores pretende gastar mais
Uma pesquisa realizada pela DM, empresa especializada em serviços financeiros e concessão de crédito, aponta que 75,7% dos consumidores entrevistados pretendem comprar presentes para o Dia dos Pais.
Entre eles, 47,2% afirmam que pretendem gastar mais do que no ano passado. O levantamento também mostra que 34,8% dos consumidores que vão presentear planejam desembolsar mais de R$ 500.
Os dados ajudam a explicar a expectativa positiva do comércio para a data, embora o comportamento de consumo não seja uniforme entre os brasileiros.
Outro levantamento, realizado pela Nexus, apontou que 39% dos entrevistados pretendem comprar presente para o Dia dos Pais, enquanto 47% afirmaram que não devem realizar compras para a data e 14% ainda não haviam decidido ou não souberam responder.
Em Maceió, comércio deve movimentar R$ 37,5 milhões
Na capital alagoana, a expectativa é de que a combinação entre presentes e comemorações injete R$ 37,5 milhões na economia.
A projeção da Fecomércio representa aumento nominal de 23,8% sobre a estimativa de 2025. O resultado reforça o peso da data para o comércio e também para segmentos de serviços ligados às comemorações.
A pesquisa aponta que 66,4% dos consumidores de Maceió pretendem comprar presentes, enquanto 69,25% planejam comemorar o Dia dos Pais.
O tíquete médio estimado para os presentes ficou em R$ 123,72, alta de 14,1% frente aos R$ 108,46 registrados em 2025. Já o gasto médio previsto para as comemorações é de R$ 101,13.
Centro de Maceió deve concentrar compras
Para quem ainda pretende comprar o presente, o Centro de Maceió aparece como principal destino.
De acordo com a pesquisa da Fecomércio, 57,33% dos consumidores devem procurar as lojas da região central. Os shoppings aparecem em segundo lugar, com 26,96%, enquanto 11,52% indicaram que pretendem realizar as compras pela internet.
Entre os produtos mais procurados estão roupas e bonés, perfumes, calçados, carteiras e cintos.
O movimento já é percebido no comércio da capital. Em entrevista à Tribuna Hoje, um gerente de loja de calçados relatou que as sandálias masculinas ganharam espaço nas vendas deste ano, embora os tênis continuem entre os produtos mais procurados.
Pix ganha espaço entre os consumidores alagoanos
A forma de pagamento também revela uma mudança no comportamento de compra em Maceió.
Segundo a pesquisa do Instituto Fecomércio Alagoas, o Pix foi citado por 37,06% dos consumidores como meio preferido para pagar os presentes. O cartão de crédito parcelado aparece na sequência, com 25,12%, seguido pelo cartão de débito, com 20,65%.
O levantamento mostra ainda que a faixa de gasto mais citada pelos consumidores da capital é de R$ 101 a R$ 150, escolhida por 29,34% dos entrevistados.
Pesquisa encontra diferença de até 1.849% nos preços
Apesar da disposição para gastar, quem ainda não comprou o presente deve ficar atento à pesquisa de preços.
Levantamento do Procon Maceió, realizado nos dias 22 e 23 de julho, identificou diferenças de até 1.849,6% entre estabelecimentos da capital.
A pesquisa incluiu produtos de eletrônicos, vestuário, perfumaria, artigos esportivos e restaurantes.
Entre os exemplos encontrados pelo órgão estão celulares com preços entre R$ 799 e R$ 11.599 e caixas de som portáteis que variaram de R$ 199,99 a R$ 3.899.
No vestuário, camisas polo foram encontradas entre R$ 99,90 e R$ 359, enquanto camisas oficiais de clubes de futebol apresentaram valores de R$ 99,90 a R$ 599,90.
A diferença também aparece na alimentação. Pratos individuais pesquisados pelo Procon custavam entre R$ 42 e R$ 129, enquanto refeições para grupos de duas a quatro pessoas variavam de R$ 117 a R$ 377.
Cenário econômico favorece consumo, mas crédito ainda preocupa
A projeção da CNC ocorre em um cenário de melhora do mercado de trabalho.
No trimestre encerrado em maio de 2026, a taxa de desemprego ficou em 5,6%, menor índice para o período desde 2012. A massa real de rendimentos também cresceu 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, a CNC alerta que o crédito caro e o endividamento das famílias continuam limitando um crescimento mais forte do consumo.
A entidade estima que os preços da cesta de produtos tradicionalmente associados ao Dia dos Pais tenham subido 5,8% em um ano, acima da inflação geral projetada para o período. Computadores, perfumes e livros estão entre os itens com maiores aumentos.
Data movimenta comércio e serviços
O impacto do Dia dos Pais vai além das lojas. Restaurantes, supermercados, serviços de lazer e comércio eletrônico também entram na disputa pela renda dos consumidores.
Em Maceió, a pesquisa da Fecomércio indica que 69,25% dos entrevistados pretendem comemorar a data. As principais opções são reuniões em casa ou na casa dos pais, mas restaurantes também aparecem entre as escolhas.
Com o comércio aquecido e a expectativa de maior circulação de consumidores, a orientação para quem ainda vai às compras é comparar preços, verificar condições de pagamento e estabelecer um limite de gastos antes de fechar a compra.
Em uma data marcada pelo apelo afetivo, a movimentação financeira esperada mostra que o Dia dos Pais continua sendo uma importante oportunidade para o comércio — em escala nacional e também para a economia de Maceió.
