A presença dos carros chineses no mercado brasileiro ganhou ainda mais força em 2026. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que as importações de veículos da China cresceram 105,4% entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O movimento acontece em meio à expansão dos veículos eletrificados — híbridos e elétricos — e à chegada de novas marcas chinesas ao país. O cenário também já tem impacto em Alagoas, onde a procura por esse tipo de automóvel avançou de forma expressiva.
Segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o estado comercializou 3.774 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, contra 1.422 unidades no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 165,4%.
China ganha espaço entre os carros importados
No Brasil, foram importados 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025. Somente os veículos provenientes da China tiveram alta de 105,4%, segundo os dados da Anfavea.
O avanço ocorre em sentido contrário às exportações brasileiras. De janeiro a julho, o país exportou 255,9 mil veículos, ante 323 mil no mesmo período de 2025 — uma queda de 20,8%.
A Argentina, principal destino dos veículos brasileiros na região, teve papel importante nesse recuo. As exportações para o país caíram 35,4% no acumulado do ano.
Alagoas acompanha expansão dos eletrificados
O mercado alagoano apresenta uma das evidências mais claras da expansão dos veículos eletrificados no país.
Entre janeiro e junho, 3.774 unidades foram comercializadas em Alagoas, quase 2,7 vezes o volume registrado no primeiro semestre de 2025.
A BYD, fabricante chinesa que se tornou uma das principais forças do setor no Brasil, liderou as vendas no estado, com 2.195 unidades e participação de 58,16% do mercado de eletrificados no período.
O crescimento não está restrito à capital. Maceió concentra boa parte da demanda, mas cidades do interior também aparecem no mercado de eletrificados.
No primeiro trimestre, por exemplo, Maceió concentrava 68% das vendas do segmento em Alagoas, enquanto Arapiraca respondia por 14,4%. Também havia registros em Marechal Deodoro, Penedo e Palmeira dos Índios.
Carros chineses já fazem parte da rotina dos alagoanos
A expansão da oferta também pode ser percebida pela presença de marcas chinesas no mercado local.
A BYD possui operação em Maceió e Arapiraca, enquanto a GWM inaugurou uma concessionária na capital alagoana em 2024, em parceria com o Grupo Cycosa.
O crescimento da procura acompanha uma transformação no perfil dos consumidores. Preços mais competitivos, tecnologia embarcada, autonomia e economia de combustível estão entre os fatores que ajudam a impulsionar a procura pelos modelos eletrificados.
No primeiro trimestre de 2026, os três veículos eletrificados mais vendidos em Alagoas eram modelos da BYD: Dolphin Mini, Song Pro GS e Dolphin GS.
Mercado nacional vive disputa entre montadoras
O avanço das marcas chinesas também aumentou a concorrência no mercado brasileiro.
Com mais veículos importados e novas fabricantes entrando no país, montadoras tradicionais passaram a oferecer descontos e condições comerciais mais agressivas para disputar consumidores.
Esse movimento tem reflexos também no mercado de veículos usados, uma vez que a redução de preços dos carros novos pode pressionar os valores dos seminovos.
A Anfavea, por sua vez, alerta para o impacto da entrada crescente de veículos importados sobre a indústria instalada no Brasil. Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, o volume importado até julho já supera a produção registrada no período por diversas fábricas associadas.
Produção brasileira também cresce
Apesar da pressão provocada pelos importados, a produção nacional de veículos apresentou alta.
As fábricas instaladas no país produziram mais de 1,6 milhão de veículos nos sete primeiros meses de 2026, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Em julho, foram produzidas 253,9 mil unidades, alta de 5,9% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
Para a Anfavea, o desempenho demonstra a força da indústria brasileira, mas ocorre em um cenário de desafios provocados pela retração das exportações e pelo aumento da participação dos importados.
Eletrificados atingem participação recorde
A mudança no mercado também aparece nos números de vendas.
Em julho, os veículos elétricos e híbridos representaram 23,5% dos emplacamentos de veículos no Brasil, a maior participação registrada até então.
O crescimento é expressivo quando comparado ao mesmo mês de 2025, quando os eletrificados representavam menos de 11% das vendas.
No acumulado de janeiro a julho, os emplacamentos de eletrificados avançaram 120,8%. Somente os veículos totalmente elétricos registraram 25,8 mil unidades emplacadas em julho, o maior volume mensal da série histórica.
Sete novas marcas chinesas devem chegar ao Brasil
A concorrência tende a aumentar nos próximos anos.
Segundo informações divulgadas a partir do mercado automotivo, sete novas marcas chinesas confirmaram planos de entrar no Brasil até 2028.
Entre elas estão marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que utilizará a sigla DFM no país, e da IM, divisão de luxo da MG.
A Chery também anunciou planos para trazer ao mercado brasileiro as marcas iCAUR, Lepas, Luxeed e Freelander, ampliando a presença do grupo no país.
A expansão pode aumentar ainda mais a variedade de modelos disponíveis para os consumidores brasileiros e, consequentemente, intensificar a disputa por preços.
O que isso significa para Alagoas?
Para o consumidor alagoano, o avanço das marcas chinesas representa maior oferta de modelos eletrificados e uma disputa mais acirrada entre fabricantes.
Os números locais mostram que o mercado já responde a essa transformação. Em apenas seis meses, as vendas de eletrificados no estado cresceram 165,4%, enquanto a BYD alcançou participação superior à metade desse segmento.
O movimento também tende a impactar concessionárias, oficinas, serviços especializados e a infraestrutura necessária para recarga dos veículos.
Ao mesmo tempo, a expansão dos carros eletrificados coloca novos desafios para o mercado, como a ampliação da rede de carregamento, capacitação de profissionais e adaptação da cadeia de manutenção.
Com a chegada de novas marcas e o aumento da competição, Alagoas passa a acompanhar de perto uma transformação que já está alterando o mercado automotivo brasileiro.
