As eleições presidenciais de 2026 terão um cenário inédito neste século: pela primeira vez, nenhum dos partidos considerados competitivos na disputa pelo Palácio do Planalto terá uma mulher como candidata à Presidência ou vice-presidente.
O quadro foi consolidado após o encerramento do período de convenções partidárias, na última quarta-feira (5). O levantamento considera as chapas já oficializadas para a disputa presidencial e mostra que os principais nomes que aparecem nas pesquisas são acompanhados por homens na composição das candidaturas.
Entre as candidaturas confirmadas, as mulheres aparecem principalmente em chapas de partidos sem representação no Congresso Nacional. Um dos exemplos é a Unidade Popular (UP), que lançou Samara Martins para a Presidência e Raquel Bricio para a vice, formando uma chapa integralmente feminina.
Principais chapas são formadas por homens
Entre os nomes que estão no centro da disputa presidencial estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Todas essas chapas têm homens na composição.
No caso de Flávio Bolsonaro, a escolha do deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice-presidência foi anunciada na quarta-feira (5), último dia permitido pelo calendário eleitoral para as convenções partidárias.
O cenário também se repete em outras candidaturas já confirmadas, como Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab; Romeu Zema e Eduardo Girão; Renan Santos e Aroldo Medina; Augusto Cury e Júlio Delgado, entre outras.
Mulheres já tiveram presença em eleições anteriores
A ausência de mulheres nas chapas dos partidos competitivos representa uma mudança em relação às últimas eleições presidenciais.
Em 2022, Simone Tebet disputou a Presidência pelo MDB e Mara Gabrilli integrou a chapa como candidata a vice. Ciro Gomes teve Ana Paula Matos como vice pelo PDT, enquanto Soraya Thronicke concorreu à Presidência pelo União Brasil.
Quatro anos antes, Marina Silva foi candidata à Presidência em 2018. Aquele pleito também contou com mulheres em posições de vice em diferentes chapas competitivas.
Em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita presidente e Marina Silva e Luciana Genro também participaram da disputa presidencial por partidos com representação no Congresso.
Já em 2010, Dilma entrou para a história ao se tornar a primeira e, até hoje, única mulher eleita presidente do Brasil. Naquele ano, ela também foi a única mulher a integrar uma chapa de um partido com representação no Congresso, segundo o levantamento histórico.
Chapa feminina concorre pelo UP
Apesar do cenário entre os partidos competitivos, as eleições de 2026 terão candidaturas femininas.
A Unidade Popular oficializou Samara Martins como candidata à Presidência e Raquel Bricio como vice. A chapa tem como principais bandeiras temas ligados aos direitos trabalhistas, combate à violência contra as mulheres, fortalecimento do SUS e da educação pública, além de propostas econômicas e sociais defendidas pela legenda.
Samara tem 38 anos, é dentista do SUS e vice-presidente nacional do UP. Ela também atua em movimentos sociais ligados às mulheres e à população negra. Em 2022, participou da disputa presidencial como candidata a vice na chapa de Leo Péricles.
O que diz o calendário eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que as convenções partidárias para escolha das candidaturas e definição de alianças ocorreriam entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois dessa etapa, os partidos devem encaminhar à Justiça Eleitoral os dados dos candidatos escolhidos.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
O cenário atual, portanto, marca uma particularidade na corrida pelo Planalto: embora haja mulheres entre as candidatas, nenhuma delas integra, até o momento, uma chapa de um partido com representação no Congresso e considerada competitiva na disputa presidencial.
