O governo dos Estados Unidos deve anunciar nesta quarta-feira (15) a decisão sobre a aplicação de novas tarifas de importação contra produtos brasileiros, em uma medida que pode afetar diversos setores da economia e intensificar as tensões comerciais entre os dois países. A definição ocorre após meses de negociações entre autoridades brasileiras e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil.
A proposta em análise prevê uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A investigação norte-americana, conduzida com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, concluiu que algumas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal e outras práticas comerciais seriam consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Nas últimas semanas, representantes dos governos de Brasília e Washington intensificaram as negociações para tentar evitar a adoção das tarifas. Técnicos dos dois países realizaram reuniões e discutiram alternativas para reduzir as divergências antes do prazo final estabelecido pela Casa Branca. Apesar do diálogo considerado construtivo, até o início desta quarta-feira não havia confirmação de um acordo definitivo.
O governo brasileiro tem defendido que a imposição das tarifas prejudicaria não apenas exportadores nacionais, mas também empresas e consumidores dos Estados Unidos. Em documento enviado às autoridades norte-americanas, o Itamaraty argumentou que diversos produtos brasileiros são utilizados como insumos pela indústria americana e que o aumento dos custos poderá afetar cadeias produtivas dos dois países.
Caso a medida seja confirmada, setores como o da indústria de transformação, máquinas, produtos químicos, aço e manufaturados poderão sentir os maiores impactos. Alguns produtos estratégicos, como café, carne bovina, terras raras, determinados metais e peças para aeronaves, foram incluídos na lista de exceções proposta pelo governo norte-americano e, em princípio, ficariam fora da cobrança adicional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou confiança na continuidade das negociações e afirmou, no início da semana, que acredita ser possível evitar o chamado "tarifaço". A estratégia do Palácio do Planalto tem sido manter o diálogo diplomático até o último momento, apostando em uma solução negociada para preservar o fluxo comercial entre os dois países.
Os Estados Unidos figuram entre os principais parceiros comerciais do Brasil, especialmente para produtos industrializados. Por isso, uma eventual ampliação das tarifas é acompanhada com atenção por empresários, exportadores e investidores, que aguardam a decisão oficial de Washington para avaliar os impactos sobre contratos, investimentos e perspectivas para o comércio bilateral.
