O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Corte deverá adotar as medidas consideradas necessárias diante dos novos elementos relacionados à investigação do Banco Master e à relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com integrantes do Supremo.

A declaração ocorreu durante a abertura das 17ª Jornadas Ítalo-Espanholas-Brasileiras de Direito Constitucional, em Brasília. Fachin classificou o momento como de “especial gravidade” e disse que eventuais providências serão anunciadas somente após a análise dos fatos e dos procedimentos institucionais envolvidos.

Fachin pede cautela na condução do caso

Sem citar nominalmente Alexandre de Moraes ou André Mendonça durante o discurso, Fachin afirmou que os elementos atualmente em análise precisam receber o devido encaminhamento institucional.

O presidente do STF ressaltou que a autoridade exercida pelos ministros não representa privilégio e está acompanhada de deveres, limites e responsabilidades.

A manifestação ocorre em meio à crise provocada pela divulgação de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e outros dados obtidos durante a investigação envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Fachin afirmou que pretende agir sem precipitação e que as decisões serão tomadas depois de uma avaliação cuidadosa do material.

Relatório da PF ampliou crise no Supremo

O relatório da Polícia Federal teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça na terça-feira (1º). O documento apresenta mensagens atribuídas a Vorcaro e a um contato identificado como Alexandre de Moraes, além de informações sobre negócios e relações entre o empresário e pessoas próximas ao ministro.

Entre os elementos mencionados estão um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes e uma série de mensagens nas quais Vorcaro buscaria interlocução com autoridades para tratar de assuntos relacionados à instituição financeira.

A PF identificou as mensagens a partir da análise do celular apreendido de Vorcaro durante a investigação. O conteúdo, entretanto, ainda está no centro de uma disputa jurídica e política, e a existência das mensagens não significa, por si só, que todas as suspeitas levantadas tenham sido comprovadas.

PGR questiona validade da investigação

A crise ganhou outro capítulo após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defender a nulidade da investigação conduzida a partir dos elementos relacionados a Moraes.

Segundo Gonet, Mendonça teria ultrapassado os limites de sua atuação ao determinar o aprofundamento das apurações envolvendo o ministro do STF sem que o procedimento passasse previamente pelo presidente da Corte ou pelo plenário.

Na avaliação da PGR, uma eventual investigação envolvendo Moraes deveria ser encaminhada institucionalmente por Fachin, que então submeteria a questão aos demais ministros.

A manifestação da Procuradoria questiona, portanto, a forma como a investigação foi conduzida, e não equivale a uma conclusão de que as informações reunidas pela Polícia Federal sejam falsas.

Caso Master já era investigado pelo Supremo

A investigação sobre o Banco Master tramita no STF no âmbito da Operação Compliance Zero. Ao longo de 2026, a Corte autorizou novas diligências solicitadas pela Polícia Federal para apurar suspeitas relacionadas a fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa envolvendo pessoas ligadas à instituição.

Em junho, por exemplo, Mendonça autorizou a nona fase da operação, com buscas e medidas cautelares contra investigados em São Paulo, Bahia e Distrito Federal. Na ocasião, o STF informou que a investigação reunia elementos como mensagens, áudios, registros de chamadas, documentos contratuais, comprovantes de transferências e dados societários.

O caso também passou anteriormente pela relatoria do ministro Dias Toffoli, que havia autorizado novas diligências e prorrogado investigações relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Presidente do STF diz que instituição precisa preservar confiança

Diante da repercussão das informações, Fachin destacou a necessidade de preservar a integridade institucional do Supremo e a confiança da sociedade na Corte.

A declaração ocorre em um momento de forte tensão entre ministros, com diferentes interpretações sobre a atuação de Mendonça, o conteúdo do relatório da PF e a possibilidade de abertura de novas frentes de apuração.

O presidente do STF indicou que pretende concluir a análise antes de anunciar qualquer providência. Até o momento, não foi apresentada publicamente uma medida específica por Fachin relacionada ao conteúdo envolvendo Moraes e Vorcaro.