A classificação da Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 aumentou a expectativa dos torcedores. Se chegar à final, a equipe comandada por Carlo Ancelotti disputará mais quatro partidas até a decisão do título.
O próximo será no domingo (5), às 17h, contra a Noruega. Mas outros dois estão marcados para dias úteis.
A Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 reacendeu uma dúvida recorrente entre trabalhadores e empregadores: afinal, o funcionário pode deixar o trabalho para assistir às partidas do Brasil? A resposta é direta: não existe na legislação trabalhista brasileira qualquer previsão que obrigue empresas privadas a liberar seus funcionários durante os jogos da Copa. Na prática, o expediente permanece normal, salvo quando a empresa decide flexibilizar a jornada por iniciativa própria ou quando há previsão em acordo ou convenção coletiva.
Em Alagoas, onde o futebol costuma mobilizar torcedores de todas as regiões do estado, a expectativa é de que milhares de trabalhadores acompanhem os jogos da Seleção. O tema tem gerado debates entre empresários, comerciantes e profissionais de diversos segmentos, principalmente porque muitas partidas acontecem em horários comerciais.
O que pode acontecer com quem abandonar o trabalho?
Especialistas em Direito do Trabalho explicam que abandonar o posto de trabalho sem autorização pode trazer consequências disciplinares.
Dependendo da situação, o empregado pode sofrer desconto salarial pelas horas não trabalhadas, receber advertência ou suspensão e, em casos mais graves — especialmente quando há insubordinação, fraude no controle de ponto ou reincidência — até mesmo ser demitido por justa causa. A aplicação da penalidade depende da análise de cada caso e da gravidade da conduta.
Empresas têm liberdade para flexibilizar
Apesar de não haver obrigação legal, muitas empresas optam por adaptar a rotina durante os jogos do Brasil.
Entre as alternativas mais utilizadas estão:
- antecipação ou atraso da jornada;
- compensação das horas em banco de horas;
- trabalho em home office;
- instalação de televisores para que os funcionários acompanhem as partidas sem interromper totalmente as atividades;
- liberação parcial do expediente.
Especialistas afirmam que essas medidas costumam melhorar o clima organizacional e aumentar o engajamento das equipes, desde que sejam comunicadas previamente e adotadas de forma organizada.
E como fica Alagoas?
No estado, o impacto vai além dos escritórios. Bares, restaurantes, lanchonetes e casas de eventos já se preparam para receber um aumento significativo de clientes durante as partidas da Seleção Brasileira.
Ao mesmo tempo, setores considerados essenciais — como saúde, segurança pública, transporte coletivo, supermercados, postos de combustíveis e atendimento ao consumidor — devem manter funcionamento normal, exigindo planejamento das equipes para evitar prejuízos na prestação dos serviços.
Já o comércio pode registrar comportamentos diferentes conforme o horário das partidas. Historicamente, há redução no movimento pouco antes dos jogos e aumento da circulação de consumidores após o apito final, principalmente em estabelecimentos voltados ao lazer e à alimentação.
Ponto facultativo não vale para empresas privadas
Outro ponto que costuma gerar dúvidas diz respeito aos decretos de ponto facultativo.
Mesmo que governos ou prefeituras adotem essa medida para servidores públicos, ela não se estende automaticamente às empresas privadas. Cada empregador continua livre para decidir se haverá expediente normal ou alguma forma de flexibilização.
Planejamento evita conflitos
Advogados trabalhistas recomendam que empregados conversem previamente com seus empregadores caso desejem acompanhar alguma partida durante o expediente.
Da mesma forma, empresas são orientadas a divulgar regras claras sobre horários, compensações e formas de acompanhamento dos jogos, reduzindo o risco de conflitos e garantindo segurança jurídica para ambas as partes.
Com a Copa movimentando o país e despertando a paixão dos brasileiros, a orientação continua sendo a mesma: torcer pela Seleção é permitido, mas respeitar as regras do ambiente de trabalho continua sendo fundamental.
