O fim da chamada “taxa das blusinhas” provocou um forte aumento no volume de encomendas internacionais recebidas pelo Brasil. Dados da Receita Federal indicam que o país registrou, em junho, o maior número de remessas desde o início da série histórica acompanhada pelo órgão.
No total, foram cerca de 28 milhões de encomendas internacionais que chegaram ao país durante o mês. O resultado representa mais que o dobro do registrado em junho de 2025, quando pouco mais de 13 milhões de remessas foram contabilizadas.
O crescimento ocorre após o governo federal zerar, em maio, o imposto de importação de 20% que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas. Junho foi o primeiro mês completo sob a nova regra.
Em valores, as remessas recebidas no período somaram aproximadamente US$ 574 milhões, o equivalente a quase R$ 3 bilhões. Na comparação com junho do ano anterior, houve alta de 107% no valor movimentado.
Volume supera registros anteriores
O número de encomendas registrado em junho também ficou acima dos níveis observados antes da criação da cobrança que ficou conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
Em outubro de 2023, por exemplo, o Brasil havia recebido pouco mais de 8 milhões de mercadorias internacionais. O volume cresceu nos anos seguintes e atingiu novo patamar após a mudança na tributação.
Segundo dados divulgados pela Receita Federal, as 28 milhões de remessas registradas em junho representam um salto de 118% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado também ficou 72% acima do volume contabilizado em abril deste ano, último mês completo antes do fim da cobrança.
Mudança na tributação
A chamada “taxa das blusinhas” era aplicada a compras internacionais de baixo valor e ficou conhecida entre os consumidores brasileiros por encarecer produtos adquiridos em plataformas estrangeiras.
Com o fim do imposto de importação, as compras de até US$ 50 passaram a ficar mais atrativas para consumidores que buscam produtos vendidos por grandes plataformas internacionais de comércio eletrônico.
A mudança, porém, também provocou reação de representantes do varejo e da indústria nacional, que apontam risco de aumento da concorrência com produtos importados e possíveis impactos sobre empresas brasileiras.
Entidades do setor defendem que o governo reveja a decisão e argumentam que a isenção pode prejudicar empresas nacionais que enfrentam custos tributários e operacionais maiores.
Varejo nacional acompanha cenário
O crescimento das compras em plataformas internacionais ocorre em um momento de preocupação entre empresários brasileiros. Representantes do varejo avaliam que a diferença de tributação pode favorecer produtos importados e reduzir a competitividade de empresas que atuam no mercado nacional.
A discussão também ganhou força diante das dificuldades enfrentadas por setores da indústria, incluindo o segmento têxtil, que cobra medidas para equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e importados.
O tema deve continuar em debate no Congresso Nacional, já que a medida provisória que alterou a cobrança precisa avançar no Legislativo para manter seus efeitos.
Enquanto isso, os dados da Receita Federal mostram que os consumidores brasileiros responderam rapidamente à mudança: em apenas um mês, o país registrou um volume recorde de encomendas internacionais, sinalizando o impacto direto da redução dos custos de importação sobre o comportamento de compra.
