O governador do estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, voltou a pedir licença do cargo neste sábado (22), apenas um dia depois de reassumir as funções após mais de três meses afastado.

A nova solicitação ocorre em meio à repercussão das acusações feitas por autoridades dos Estados Unidos contra o governador, que é apontado como suposto integrante de um esquema envolvendo tráfico de drogas, suborno e proteção a integrantes do crime organizado.

Rocha encaminhou ao Congresso de Sinaloa um pedido de licença temporária por prazo indeterminado, superior a 30 dias. O documento foi divulgado pelo próprio governador nas redes sociais.

Retorno ao cargo durou apenas um dia

Na sexta-feira (21), Rocha havia anunciado o retorno ao governo de Sinaloa após permanecer afastado por mais de três meses. O político afirmou que reassumia as funções com a consciência tranquila e que pretendia cumprir o mandato para o qual foi eleito.

A volta, porém, provocou reações negativas dentro do próprio grupo político. O governo da presidente Claudia Sheinbaum e o partido Morena se distanciaram da decisão de Rocha.

No sábado, sem citar diretamente o governador, Sheinbaum publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que o poder sem princípios pode se transformar em arrogância e que interesses pessoais não devem estar acima do povo e da nação.

Pouco depois, Rocha publicou a solicitação de nova licença e afirmou que Sinaloa, o México e o movimento político ao qual pertence estão acima de interesses individuais.

Acusações partem dos Estados Unidos

As acusações contra Rocha fazem parte de um processo conduzido por autoridades norte-americanas. Segundo a acusação, o governador e outros nove atuais e ex-integrantes da administração de Sinaloa teriam mantido vínculos com a facção Los Chapitos, ligada ao Cartel de Sinaloa.

Os promotores dos EUA alegam que o grupo teria colaborado para facilitar o tráfico de drogas para território norte-americano em troca de propinas e apoio político.

Rocha nega as acusações e afirma que o processo tem motivação política. O caso também provocou tensão entre os governos do México e dos Estados Unidos.

Investigação no México

Após o surgimento das acusações, Rocha havia solicitado uma licença em maio para permitir o andamento das investigações realizadas pelas autoridades mexicanas.

Durante o período afastado, o governador se colocou à disposição da Justiça mexicana. Segundo informações divulgadas na ocasião, ele afirmou que os ataques eram falsos e não apresentavam fundamento.

O governo mexicano, por sua vez, informou anteriormente que as autoridades norte-americanas não haviam apresentado elementos considerados suficientes para justificar uma eventual extradição de Rocha. Uma investigação interna também foi aberta no país.

Crise política em Sinaloa

A situação de Rocha aumentou a pressão sobre o governo de Claudia Sheinbaum e expôs divergências dentro do Morena, partido que governa o México.

A decisão de reassumir o cargo na sexta-feira havia sido tomada de forma independente, segundo o governo mexicano e integrantes do partido. A nova licença, apresentada apenas um dia depois, ocorre diante da repercussão política provocada pelo retorno.

Rubén Rocha Moya, de 77 anos, foi eleito governador de Sinaloa em 2021 e tem mandato previsto até outubro de 2027.