Motoristas de aplicativo e taxistas passaram a ter acesso a uma possibilidade maior de financiamento para a renovação dos veículos. O governo federal elevou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos carros que podem ser financiados pelo programa Move Brasil – Táxi e Aplicativos.

A mudança foi oficializada por uma portaria conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União. A nova regra também ampliou a lista de veículos híbridos que podem ser enquadrados no programa.

Para motoristas que atuam em Alagoas, especialmente em Maceió e nas cidades com forte circulação turística, a medida pode representar uma oportunidade para substituir veículos antigos por modelos mais novos, confortáveis e econômicos.

O que muda para os motoristas

Com o novo teto, podem ser financiados veículos novos de até R$ 200 mil, considerando o valor registrado na nota fiscal. Antes, o limite era de R$ 150 mil.

Segundo o governo federal, a alteração aumenta de aproximadamente 63% para 88% a parcela do mercado brasileiro de veículos que pode ser alcançada pelo critério de preço do programa, com base nos emplacamentos registrados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) em 2025.

A portaria também passou a admitir diferentes configurações de veículos híbridos, incluindo modelos que combinam motor elétrico com motor a combustão movido a gasolina, etanol ou ambos.

De acordo com dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) de 2026 citados pelo MDIC, veículos híbridos apresentam redução média próxima de 24% no consumo energético em comparação com versões convencionais equivalentes.

Impacto em Alagoas

Em Alagoas, onde o transporte por aplicativo tem presença significativa na mobilidade urbana e no atendimento ao setor turístico, a ampliação do crédito pode ter reflexos diretos para quem depende do automóvel como principal ferramenta de trabalho.

Levantamento divulgado pelo Sebrae Alagoas apontou a existência de mais de 2,6 mil motoristas de aplicativo no estado, número que demonstra a relevância econômica da atividade, embora não represente necessariamente o universo atual de trabalhadores que atuam nas plataformas.

Em Maceió, Uber e 99 mantêm operações voltadas aos motoristas parceiros. A Uber, por exemplo, informa que milhares de usuários solicitam viagens diariamente na capital alagoana, enquanto a 99 mantém cadastro e requisitos específicos para motoristas que desejam atuar na plataforma.

Na prática, o novo teto pode ampliar as opções para profissionais que trabalham em categorias que exigem veículos mais novos ou de maior padrão, além de facilitar a entrada de modelos híbridos na frota utilizada para transporte de passageiros.

Para uma atividade em que combustível, manutenção, pneus, seguro e depreciação pesam diretamente sobre o rendimento do trabalhador, a possibilidade de utilizar um veículo mais eficiente pode representar redução de custos no longo prazo. Por outro lado, a contratação do financiamento continua sujeita à análise de crédito e às condições estabelecidas pelas instituições financeiras.

Programa ainda enfrenta dificuldades para liberar crédito

Apesar da ampliação do limite, o Move Brasil chega à nova etapa enfrentando um problema importante: a dificuldade de transformar o crédito anunciado em financiamento efetivamente contratado.

Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, o programa tinha disponibilizado até agora apenas 11,3% dos R$ 30 bilhões previstos, equivalentes a cerca de R$ 3,44 bilhões em empréstimos para 33,4 mil motoristas — sendo 27 mil de aplicativos e 6 mil taxistas.

O governo reconheceu problemas na execução da iniciativa. Entre os obstáculos apontados estão dificuldades na operacionalização do fundo garantidor de crédito, comunicação insuficiente com o público-alvo e a baixa adesão de instituições financeiras.

A situação gerou cobrança dentro do próprio governo. Reportagem do UOL apontou tensão em uma reunião no Palácio do Planalto envolvendo o ministro Guilherme Boulos e os presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, justamente em razão da baixa adesão ao programa.

A ampliação do teto para R$ 200 mil surge, portanto, não apenas como uma mudança nas regras, mas também como uma tentativa de aumentar a procura e destravar a execução do programa.

Juros abaixo da média do mercado

Outro atrativo do Move Brasil são as taxas estabelecidas para o financiamento.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o programa trabalha com juros de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. A taxa média do mercado para financiamento de automóveis, segundo dados citados pelo governo, gira em torno de 28% ao ano.

A diferença pode tornar a linha especialmente interessante para trabalhadores que conseguirem aprovação do crédito.

Entretanto, a própria experiência registrada desde o lançamento mostra que ter uma taxa mais baixa não garante, por si só, a contratação. Motoristas relataram dificuldades para conseguir aprovação junto às instituições financeiras, enquanto bancos argumentam sobre o risco de crédito associado à categoria.

Repercussão entre motoristas e setor automotivo

A expectativa do governo é que o aumento do teto coloque mais modelos à disposição dos profissionais e permita que motoristas que anteriormente estavam fora do limite de R$ 150 mil passem a ter acesso à linha.

A inclusão de híbridos também acompanha a expansão dos veículos eletrificados no mercado brasileiro e pode estimular uma renovação gradual das frotas utilizadas no transporte por aplicativo.

Para Alagoas, o impacto potencial vai além do motorista individual. Uma eventual renovação da frota pode movimentar concessionárias, oficinas, seguradoras, serviços de manutenção e o comércio automotivo, além de melhorar a experiência de passageiros em uma cidade que recebe grande fluxo de turistas durante boa parte do ano.

Ao mesmo tempo, especialistas e trabalhadores ainda precisam observar se o novo teto será acompanhado por maior facilidade na aprovação dos financiamentos. Sem essa etapa, a ampliação do limite pode ter alcance menor do que o anunciado.

Programa tem prazo limitado

O Move Brasil foi criado para financiar a renovação de veículos utilizados por taxistas e motoristas de aplicativos. A medida provisória que criou o programa estabeleceu validade até 15 de setembro de 2026, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Com a proximidade do fim do prazo, a efetividade da mudança dependerá da velocidade com que os motoristas consigam acessar as instituições financeiras, obter aprovação e concluir a compra.

Para os profissionais alagoanos, a principal novidade é clara: o carro de até R$ 200 mil passou a estar dentro do limite do programa, ampliando significativamente o leque de veículos disponíveis. O desafio agora é fazer com que o crédito efetivamente chegue a quem está nas ruas trabalhando.