O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou queda de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa uma mudança em relação a julho, quando o índice havia registrado alta de 0,06%. Em 12 meses, a inflação acumulada desacelerou de 4,52% para 4,24%. No acumulado de 2026, o IPCA-15 registra alta de 3,09%.
A queda veio principalmente dos grupos Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas, que apresentaram recuos de 1,41%, 1% e 0,57%, respectivamente.
Conta de luz foi o principal fator para a deflação
Um dos principais responsáveis pelo resultado foi o preço da energia elétrica residencial, que caiu 6,25% em agosto.
Segundo o IBGE, o movimento está relacionado à aplicação do Bônus de Itaipu nas contas de energia emitidas durante o mês. O benefício representou um desconto temporário para consumidores e teve impacto de -0,26 ponto percentual no IPCA-15.
Mesmo com o desconto, a bandeira tarifária amarela continuou em vigor, acrescentando cobrança adicional sobre o consumo de energia.
O efeito do bônus, entretanto, é considerado temporário, já que a redução está concentrada nas faturas de agosto.
Alimentos também ficaram mais baratos
O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,57%, com destaque para os produtos consumidos dentro de casa, que ficaram, em média, 0,97% mais baratos.
Entre os principais recuos registrados pelo IBGE estão:
- tomate: -27,38%;
- batata-inglesa: -25,14%;
- cenoura: -17,05%;
- café moído: -2,31%.
Por outro lado, alguns produtos ficaram mais caros. O leite longa vida subiu 3,41%, enquanto as frutas tiveram alta de 3,11%.
Passagens aéreas e combustíveis recuam
O grupo Transportes também contribuiu para a queda geral dos preços, com recuo de 1%.
O principal destaque foi a passagem aérea, que ficou 13,30% mais barata no período pesquisado.
Entre os combustíveis, o etanol caiu 3,63%, a gasolina recuou 1,23% e o óleo diesel teve redução de 0,71%.
Nem todos os preços caíram
Apesar da deflação geral, alguns grupos continuaram registrando aumentos.
Despesas pessoais tiveram a maior alta, de 0,66%. Também houve avanço em Educação (0,46%) e Saúde e cuidados pessoais (0,40%).
O grupo Artigos de residência subiu 0,04%, enquanto Comunicação apresentou leve queda de 0,02% e Vestuário recuou 0,20%.
O que o resultado representa para Alagoas?
Para os consumidores alagoanos, o resultado nacional traz uma sinalização positiva, especialmente porque itens como alimentação, combustíveis e energia elétrica têm peso importante no orçamento das famílias.
É importante, porém, destacar que o IPCA-15 é um índice nacional e não significa que todos os preços tenham caído em Alagoas na mesma proporção.
A pesquisa do IBGE considera 11 áreas urbanas e inclui a Região Metropolitana do Recife, mas não possui coleta específica para Maceió. Por isso, os preços encontrados pelos consumidores alagoanos podem apresentar comportamento diferente do índice nacional.
Ainda assim, a redução nacional dos combustíveis e de diversos alimentos pode influenciar os preços praticados no comércio local, dependendo das condições de oferta, transporte e distribuição.
Inflação em 12 meses fica abaixo do teto da meta
Com a desaceleração para 4,24% em 12 meses, o IPCA-15 ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.
O resultado também veio melhor do que a expectativa do mercado. Uma pesquisa da Reuters apontava previsão de queda de 0,30% para agosto, enquanto o resultado efetivo foi de -0,40%.
A desaceleração pode aumentar as discussões sobre a trajetória dos juros, embora analistas ainda apontem a existência de pressões em setores de serviços e outros componentes da inflação.
Repercussão
A divulgação do índice teve repercussão positiva no mercado financeiro. O resultado reforçou a percepção de que a inflação está perdendo força, embora parte significativa da queda de agosto esteja relacionada a fatores pontuais, como o bônus concedido nas contas de energia.
Para o consumidor, o dado representa um alívio momentâneo no custo de alguns produtos e serviços, mas a evolução dos preços nos próximos meses será fundamental para saber se a desaceleração será sustentada.
