Uma nova parceria firmada entre o Ministério da Fazenda e a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) pretende ampliar a participação de mulheres em posições de liderança e alta gestão no setor financeiro. O acordo foi formalizado por meio de um Acordo de Cooperação Técnica e dará suporte às ações da plataforma Women Leaders in Finance (WIF).

A iniciativa tem como foco a formação profissional, o desenvolvimento de redes de relacionamento e o estímulo à equidade de gênero no ecossistema financeiro, incluindo áreas ligadas a finanças públicas, mercado financeiro e sustentabilidade.

Embora a parceria seja nacional, a discussão tem reflexos importantes em Alagoas, onde mulheres já possuem participação expressiva na atividade econômica e no empreendedorismo, mas ainda enfrentam obstáculos para acessar postos de maior remuneração e liderança.

Alagoas tem mais de 105 mil empresas lideradas por mulheres

Um levantamento da Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal) aponta que o estado possui 105.699 empresas lideradas por mulheres. O número representa crescimento de 9,21% em relação ao levantamento anterior.

Do total, são 59.838 Microempreendedores Individuais (MEIs), 35.886 microempresas e 6.225 empresas de pequeno porte, além de outros negócios classificados sem porte.

Ao todo, mais de 100 mil mulheres aparecem como empresárias, sócias, diretoras ou integrantes do quadro de administração dessas empresas.

Os números mostram a presença feminina crescente na economia alagoana e ajudam a dimensionar o potencial de políticas voltadas à capacitação e ao acesso das mulheres a posições estratégicas.

Mercado de trabalho ainda apresenta desafios

Apesar da presença cada vez maior das mulheres no empreendedorismo, os indicadores do mercado de trabalho mostram que ainda existem desigualdades.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, a taxa de desocupação em Alagoas chegou a 9,2% no primeiro trimestre de 2026, uma das maiores entre as unidades da Federação.

No recorte por sexo, a taxa de desocupação das mulheres no Brasil ficou em 7,3%, contra 5,1% entre os homens. Em Alagoas, a taxa geral de desemprego aumentou 1,2 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

O cenário reforça a importância de iniciativas de qualificação, desenvolvimento profissional e criação de redes que possam ajudar mulheres a acessar oportunidades de trabalho e avançar para funções de maior responsabilidade.

Programa busca formar uma rede de lideranças

A plataforma Women Leaders in Finance foi criada para estimular a participação feminina no setor financeiro e promover conexões entre profissionais.

Com a parceria, a Enap passa a apoiar a operacionalização das ações formativas da plataforma. A proposta inclui atividades voltadas ao desenvolvimento profissional e à formação de redes de mulheres que atuam ou pretendem atuar em áreas relacionadas a finanças e sustentabilidade.

A intenção é criar condições para que mais mulheres estejam preparadas para assumir posições estratégicas e participar dos processos de tomada de decisão.

O acordo também aproxima a agenda de equidade de gênero da formação de servidores públicos que atuam em áreas econômicas e financeiras.

Reflexos podem chegar ao setor público alagoano

Para Alagoas, a iniciativa pode ter impacto especialmente na administração pública, considerando a necessidade de qualificação de profissionais que trabalham com orçamento, planejamento, finanças públicas, investimentos e sustentabilidade.

Um levantamento realizado pelo próprio Governo de Alagoas sobre a presença feminina em cargos de liderança mostrou que, em 2024, 60,71% dos cargos de liderança no primeiro escalão do governo estadual eram ocupados por mulheres, o maior percentual entre os governos estaduais analisados naquele estudo.

O levantamento, porém, é referente a 2024 e não deve ser confundido com um retrato atualizado de 2026.

Ainda assim, o dado demonstra que Alagoas possui um cenário particular de participação feminina em posições de comando no setor público.

A ampliação de programas de formação pode contribuir para consolidar essa presença e preparar novas profissionais para funções estratégicas em áreas como economia, planejamento, orçamento, gestão fiscal e sustentabilidade.

Empreendedorismo feminino também ganha espaço

A discussão sobre liderança não se limita ao serviço público ou ao mercado financeiro tradicional.

O crescimento do número de empresas lideradas por mulheres em Alagoas mostra que o empreendedorismo também se tornou uma importante frente de participação feminina na economia.

São milhares de negócios comandados por mulheres em diferentes setores, desde microempreendedoras individuais até empresas de pequeno porte.

Nesse contexto, a formação em gestão financeira, planejamento, investimentos e sustentabilidade pode beneficiar não apenas profissionais que pretendem ocupar cargos executivos, mas também empreendedoras que precisam tomar decisões relacionadas ao crescimento e à administração dos próprios negócios.

Por que a liderança feminina importa?

A presença de mulheres em cargos de decisão tem impacto que vai além da representatividade.

Em áreas como finanças públicas e privadas, as decisões tomadas por gestores influenciam investimentos, políticas econômicas, distribuição de recursos e estratégias de desenvolvimento.

A proposta do Ministério da Fazenda e da Enap parte justamente da necessidade de ampliar a presença feminina nesses espaços e criar uma rede capaz de apoiar o desenvolvimento profissional das participantes.

Para um estado como Alagoas, que apresenta participação significativa de mulheres tanto no empreendedorismo quanto em cargos de liderança pública, a ampliação dessas oportunidades pode ajudar a fortalecer uma nova geração de profissionais preparadas para atuar em áreas estratégicas da economia.

Formação e oportunidade

A parceria entre Fazenda e Enap não representa, por si só, a criação de vagas de emprego ou a garantia de promoção para as participantes. O objetivo é criar formação, conexão profissional e desenvolvimento de lideranças.

Esse ponto é importante para evitar uma expectativa equivocada: a iniciativa não significa contratação automática nem reserva de cargos. O impacto esperado está na ampliação das competências e das redes profissionais que podem favorecer a participação feminina em posições de decisão.

Em Alagoas, onde mais de 105 mil negócios têm mulheres entre suas lideranças e onde o mercado de trabalho ainda apresenta desafios para a população feminina, iniciativas dessa natureza podem funcionar como mais uma ferramenta de qualificação e fortalecimento da autonomia econômica.