O Irã estabeleceu condições para permitir a retomada completa do tráfego pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (10), Teerã exige uma série de concessões dos Estados Unidos antes de liberar a passagem de embarcações.

Ao mesmo tempo, o governo iraniano afirma estar próximo de concluir um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação pelo estreito. A negociação, porém, não significa uma reabertura imediata da passagem, já que o Irã mantém exigências direcionadas aos americanos.

Entre as condições apresentadas por Teerã estão o fim do bloqueio naval dos EUA, a suspensão das ações militares contra o Irã e seus aliados na região, compensações pelos danos provocados pelos ataques recentes e a liberação de ativos iranianos congelados no exterior.

O governo iraniano também exige garantias de que novas ameaças militares contra o país sejam interrompidas.

Negociação com Omã avança

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações com Omã estão em estágio avançado. O objetivo é estabelecer regras e corredores específicos para a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz.

A negociação ocorre paralelamente às tratativas envolvendo Estados Unidos e Irã. Segundo a Reuters, os dois países não mantêm conversas diretas, mas utilizam intermediários para transmitir mensagens.

Mesmo com o avanço das conversas com Omã, autoridades iranianas deixaram claro que a liberação completa da passagem depende de medidas tomadas por Washington.

Por que o Estreito de Ormuz é importante?

O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais vias de transporte energético do planeta. Uma interrupção prolongada no tráfego pode provocar impactos no abastecimento internacional e pressionar os preços do petróleo.

A tensão em torno da passagem já repercute nos mercados. O preço do petróleo voltou a subir diante da incerteza sobre quando o tráfego marítimo poderá ser normalizado.

O Estreito de Ormuz também é estratégico para países produtores de petróleo e gás do Golfo, que dependem da rota para exportar parte significativa de sua produção.

EUA ainda não atenderam às exigências

Até o momento, não há indicação de que Washington tenha aceitado todas as condições apresentadas pelo governo iraniano.

A situação mantém o estreito no centro das negociações diplomáticas e aumenta a pressão sobre os governos envolvidos para encontrar uma solução que permita a retomada segura do transporte marítimo.

Enquanto as conversas avançam, a possibilidade de uma reabertura gradual da passagem permanece condicionada ao resultado das negociações entre Irã, Estados Unidos e seus intermediários.