O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (7) que pretende enviar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma fotografia com dados que apontam a redução do desmatamento no Brasil. A declaração ocorreu durante uma agenda no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

Ao tomar conhecimento dos números apresentados durante a visita, Lula disse que gostaria de mostrar os resultados ao presidente norte-americano. A declaração ocorre em meio ao momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington.

Segundo informações divulgadas pelo G1, Lula afirmou que pretende fotografar os dados e encaminhá-los a Trump como forma de demonstrar os resultados alcançados pelo Brasil na preservação ambiental.

Desmatamento registra queda na Amazônia

Dados apresentados pelo Inpe apontam uma redução expressiva na área sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal no período mais recente analisado.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram registrados 2.874,38 km² de áreas sob alerta de desmatamento, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira. O resultado representa uma queda de 36,87% em comparação com o período anterior.

Os números são obtidos a partir de sistemas de monitoramento por satélite utilizados pelo governo brasileiro para acompanhar a retirada da cobertura vegetal.

A redução dos alertas é considerada pelo governo federal um dos principais resultados da política de combate ao desmatamento adotada nos últimos anos.

Lula relaciona dados à discussão com Trump

A declaração do presidente ocorre em um momento particularmente delicado na relação entre Brasil e Estados Unidos.

Os dois governos vêm protagonizando uma série de divergências diplomáticas e comerciais. Entre os pontos de conflito estão as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e as críticas de Trump ao tratamento dado pelo governo brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesse cenário, Lula tem defendido que o Brasil deve apresentar dados e argumentos próprios para rebater críticas feitas por autoridades norte-americanas.

A ideia de enviar a Trump os números do desmatamento segue essa estratégia: apresentar os resultados ambientais brasileiros diretamente ao presidente dos Estados Unidos.

Críticas a Marco Rubio

Durante a agenda no Inpe, Lula também voltou a criticar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

O presidente brasileiro afirmou que Rubio não gosta do Brasil e classificou o secretário norte-americano como uma pessoa contrária aos interesses latino-americanos. As declarações foram dadas em meio à escalada das tensões diplomáticas entre os dois países.

Rubio já havia se tornado alvo de críticas do governo brasileiro em razão da postura adotada pelos Estados Unidos em relação ao Brasil.

A disputa diplomática ganhou novos contornos nesta semana depois que Washington anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Meio ambiente como argumento diplomático

A redução do desmatamento passou a ocupar espaço importante no discurso internacional do governo Lula, especialmente nas discussões relacionadas às mudanças climáticas.

Ao apresentar os dados a Trump, o presidente brasileiro procura reforçar a imagem do país como um dos principais atores globais na preservação ambiental e na redução da devastação da Amazônia.

O tema também tem importância estratégica para o Brasil diante da realização da COP30, que colocou a política ambiental brasileira sob atenção internacional.

Para o governo federal, a queda dos índices de desmatamento representa um argumento relevante nas negociações ambientais e comerciais com outros países.

A divulgação dos números pelo Inpe ocorre, portanto, em um contexto que vai além da questão ambiental: os dados também são utilizados pelo governo brasileiro como instrumento de defesa da política externa e da posição do país diante das críticas feitas pelo governo Trump.