O encerramento das convenções partidárias definiu o cenário das alianças estaduais que vão sustentar as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República em 2026.
Os oito maiores colégios eleitorais do país concentram mais de 100 milhões de eleitores e terão papel importante na corrida ao Palácio do Planalto. O mapa mostra estratégias diferentes entre os dois principais nomes da disputa: enquanto Lula busca ampliar sua presença no Sudeste, Flávio Bolsonaro tenta avançar principalmente no Nordeste, região historicamente favorável ao petista.
Entre os estados mais importantes estão São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará.
São Paulo concentra disputa estratégica
São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, terá uma disputa estadual que também terá reflexos na eleição presidencial.
O PT lançou o ex-prefeito Fernando Haddad para o governo paulista. A composição reúne Márcio França (PSB) como candidato a vice, enquanto Simone Tebet e Marina Silva aparecem na chapa para o Senado.
Do outro lado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca a reeleição e mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro. O senador participou do lançamento da candidatura de Tarcísio, mas o Republicanos não aderiu formalmente à candidatura presidencial de Flávio.
A configuração paulista coloca em lados opostos dois grupos que disputam também a formação de bases políticas para a corrida presidencial.
Minas Gerais tem cenário fragmentado
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, as articulações não produziram os palanques inicialmente desejados pelas duas campanhas.
O PT lançou Patrus Ananias para o governo, com Jarbas Soares Júnior (PSB) como vice. Marília Campos (PT) disputa uma vaga ao Senado.
No campo ligado a Flávio Bolsonaro, Flávio Roscoe foi confirmado como candidato ao governo pelo PL, tendo Charlles Evangelista como vice.
A definição ocorreu somente no último dia das convenções, depois de uma série de mudanças envolvendo nomes que eram considerados para a disputa estadual.
Rio de Janeiro vira ponto de atenção para Flávio
No Rio de Janeiro, estado de origem da família Bolsonaro, a montagem do palanque do PL também sofreu mudanças durante o período de convenções.
O partido lançou Douglas Ruas para o governo, acompanhado de Fernanda Louback como candidata a vice. Para o Senado, Carlos Portinho e Carlos Jordy foram escolhidos pela legenda.
Do lado apoiado por Lula, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) disputa o governo e tem Benedita da Silva (PT) como candidata ao Senado em sua composição.
A configuração estadual deixou o PL com uma estrutura diferente daquela inicialmente planejada para o estado.
Bahia e Nordeste são estratégicos
A Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, continua sendo uma das principais áreas de interesse da campanha de Lula.
O Nordeste representa um dos principais redutos eleitorais do presidente, enquanto Flávio Bolsonaro busca diminuir a diferença registrada pela direita na região nas últimas eleições.
A escolha do deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL) como candidato a vice-presidente também é vista como parte da estratégia de ampliar a presença da chapa de Flávio no Nordeste. Gaspar é deputado federal por Alagoas desde 2023 e já ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública do estado.
Partidos mantêm distância da disputa nacional
Outro fator que influencia o desenho dos palanques é a decisão de partidos de centro e centro-direita de não aderirem formalmente a nenhuma das duas principais candidaturas presidenciais em alguns estados.
Republicanos, Podemos e a federação União Brasil-PP aparecem entre as legendas que optaram por preservar maior liberdade na disputa nacional, enquanto mantêm alianças e candidaturas próprias nos estados.
A estratégia permite aos partidos buscar espaço nas eleições para o Congresso e governos estaduais sem necessariamente assumir compromisso com uma das principais chapas presidenciais.
Oito maiores colégios eleitorais
Além de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, completam a lista dos oito maiores colégios eleitorais Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará.
Esses estados concentram uma parcela significativa do eleitorado brasileiro e devem ser acompanhados de perto pelas campanhas durante a corrida eleitoral.
Com as convenções encerradas, o próximo passo será transformar os acordos estaduais em campanha efetiva, com atos políticos, propaganda e mobilização das bases partidárias.
A eleição presidencial acontece em 4 de outubro de 2026, com eventual segundo turno marcado para 25 de outubro.
