O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não acredita na imposição de um novo pacote de tarifas comerciais pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, mesmo com a proximidade da decisão do governo norte-americano sobre a política tarifária. A declaração foi feita durante agenda oficial em São José dos Campos (SP), em uma semana considerada decisiva para as negociações entre Brasília e Washington.
A expectativa é de que a Casa Branca anuncie até esta quarta-feira (15) se colocará em prática novas tarifas sobre mercadorias brasileiras. Entre as medidas em análise está a aplicação de uma sobretaxa de até 25% para determinados produtos exportados pelo Brasil, além de outras alíquotas específicas que vêm sendo discutidas pelas autoridades norte-americanas.
Questionado sobre o assunto, Lula demonstrou confiança de que o entendimento diplomático prevalecerá. O presidente evitou antecipar qualquer medida de retaliação e reforçou que o governo brasileiro continua trabalhando para manter abertas as negociações com os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil em diversos setores da economia.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços acompanham diariamente as tratativas com representantes do governo norte-americano. A estratégia do Palácio do Planalto é aguardar a decisão oficial antes de anunciar eventuais respostas comerciais ou diplomáticas.
Segundo fontes do governo, a expectativa é de que, mesmo havendo novas tarifas, a lista de produtos isentos possa ser ampliada, reduzindo os impactos para setores estratégicos da economia brasileira. Entre os segmentos mais atentos à decisão estão os de aço, alumínio, agronegócio, máquinas, autopeças e produtos industrializados destinados ao mercado americano.
Especialistas avaliam que uma eventual elevação das tarifas poderá afetar a competitividade das exportações brasileiras e provocar reflexos na balança comercial entre os dois países. Por outro lado, o governo brasileiro sustenta que o diálogo diplomático ainda pode evitar uma escalada nas medidas protecionistas e preservar a relação econômica bilateral.
Enquanto aguarda a definição de Washington, o Palácio do Planalto mantém o discurso de cautela e aposta na continuidade das negociações técnicas. A avaliação é de que qualquer reação oficial dependerá do alcance das medidas que forem anunciadas pelo governo dos Estados Unidos e dos setores efetivamente atingidos pelas novas tarifas.
