O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pediu nesta quarta-feira (5) para deixar a equipe responsável pela campanha de reeleição do petista.

A decisão ocorre após a repercussão de pagamentos realizados pela empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no caso envolvendo descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões do INSS, para Marcola.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ex-assessor comunicou a decisão ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e também informou Lula. A saída ainda não havia sido formalizada oficialmente pelo partido até a publicação desta matéria.

A movimentação representa uma mudança no comando da campanha petista justamente no momento em que Lula começa a estruturar sua estratégia para a disputa presidencial de 2026.

Marcola diz que dinheiro foi empréstimo

Marcola confirmou ter recebido recursos de Roberta Luchsinger, mas afirmou que os valores seriam referentes à quitação de um empréstimo pessoal.

À Folha de S.Paulo, o ex-chefe de gabinete declarou que o empréstimo teria sido de R$ 249 mil. Ele sustenta que a operação foi posteriormente quitada e que não possui relação com sua atuação no governo federal.

Em manifestação anterior, Marcola negou qualquer irregularidade no exercício de suas funções no governo.

O caso ganhou repercussão porque Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal e aparece nas apurações relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Até o momento, não há informação de que Marcola seja investigado ou tenha sido acusado de participação no esquema fraudulento do INSS. A existência de pagamentos entre ele e uma pessoa investigada é o ponto que provocou o desgaste político.

Lula foi informado sobre o caso

A situação chegou ao conhecimento de Lula e passou a preocupar integrantes da campanha justamente pela proximidade de Marcola com o presidente.

Segundo relatos publicados pela imprensa, o petista pediu explicações ao ex-assessor sobre a transação financeira. Marcola teria informado que pretende apresentar documentos para comprovar a natureza e a quitação do empréstimo.

Integrantes do PT avaliam que o episódio representa um problema político para a campanha, principalmente porque adversários de Lula passaram a explorar a ligação entre o assessor e uma pessoa investigada pela Polícia Federal.

A avaliação, segundo o Poder360, é de que o desgaste pode ser administrado caso a documentação apresentada por Marcola confirme a versão de que se tratou de um empréstimo pessoal.

Saída tem caráter político, afirma Marcola

A decisão de deixar a campanha teria sido tomada pelo próprio Marcola para evitar que a controvérsia se transformasse em um problema maior para a candidatura de Lula.

Segundo relatos divulgados nesta quarta-feira, ele teria explicado que o afastamento possui motivação política, e não jurídica.

Edinho Silva teria tentado convencê-lo a permanecer na equipe, mas Marcola optou por se afastar diante da repercussão do caso.

A saída ocorre poucas semanas depois de Marcola ter deixado oficialmente o Palácio do Planalto para trabalhar na campanha presidencial.

Quem é Marcola

Marco Aurélio Santana Ribeiro é cientista político, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e integrante do círculo de confiança de Lula há anos.

Ele passou a trabalhar diretamente com o presidente antes mesmo do atual mandato e exerceu funções relacionadas à organização de compromissos, reuniões e viagens.

Em julho, deixou o cargo de chefe do gabinete pessoal de Lula no Palácio do Planalto para integrar a estrutura eleitoral do PT. A ideia era que ele trabalhasse principalmente na coordenação estratégica da agenda do presidente, enquanto o ex-ministro Gilberto Carvalho teria atuação mais próxima das viagens e atividades nos estados.

Marcola também participou da campanha de Lula em 2022.

O apelido costuma gerar confusão nas redes sociais por ser igual ao de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado pelas autoridades como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). São pessoas diferentes. A associação já foi objeto de checagens de informação.

Caso envolve investigação sobre fraudes no INSS

Roberta Luchsinger está entre os nomes investigados no contexto da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.

As investigações apontam para um esquema que teria movimentado bilhões de reais entre 2019 e 2024 e atingido beneficiários do INSS.

O nome de Luchsinger ganhou ainda mais destaque por sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A empresária é apontada como amiga dele, mas isso, por si só, não significa participação de Lulinha nas irregularidades investigadas.

A PF investiga as relações financeiras e empresariais envolvidas no esquema, enquanto os pagamentos feitos a Marcola passaram a ser analisados separadamente no debate político.

Repercussão atinge campanha presidencial

A saída de Marcola ocorre em um momento particularmente sensível para Lula. O presidente busca organizar sua campanha à reeleição enquanto adversários políticos passaram a usar o episódio para questionar a escolha de integrantes de sua equipe.

A repercussão foi registrada por diferentes veículos nesta quarta-feira. A CNN Brasil informou que Marcola pediu para deixar a campanha, enquanto UOL, Folha e Poder360 detalharam o impacto político da situação e a versão apresentada pelo ex-assessor sobre o empréstimo.

O episódio acrescenta uma nova frente de desgaste à campanha petista, mas, até o momento, a principal controvérsia está relacionada à repercussão política dos pagamentos, e não a uma acusação formal de participação de Marcola nas fraudes investigadas no INSS.

A campanha de Lula terá agora de reorganizar a estrutura responsável pela agenda presidencial e administrar os efeitos políticos provocados pelo caso.