Relatos sobre uma crise entre militares que integram a tripulação do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln, da Marinha dos Estados Unidos, chamaram a atenção nesta quarta-feira (12). Segundo os jornais especializados Navy Times e Stars and Stripes, marinheiros teriam tentado se jogar ao mar durante uma missão que já dura mais de 250 dias.

A embarcação, que transporta cerca de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais, está em uma das mais longas permanências consecutivas no mar registradas por um porta-aviões norte-americano. O navio passou mais de 250 dias sem realizar uma parada em terra, situação que, segundo familiares e militares ouvidos pela imprensa, vem provocando exaustão e queda no moral da tripulação.

Os relatos apontam que alguns integrantes da tripulação chegaram a apresentar sinais de forte sofrimento emocional. Em pelo menos um dos casos relatados, um marinheiro teria sido impedido por outro integrante da equipe de saltar do navio.

Missão prolongada

O USS Abraham Lincoln deixou San Diego, na Califórnia, em novembro do ano passado. A missão inicialmente tinha outro destino, mas o porta-aviões acabou sendo redirecionado para o Oriente Médio em razão da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã.

A previsão inicial era de que a operação terminasse em maio, mas a permanência do navio foi prolongada. Até o momento, não há uma data pública definida para o retorno da embarcação aos Estados Unidos.

De acordo com os relatos divulgados pela imprensa especializada, o problema não seria apenas o tempo total de deslocamento, mas principalmente a ausência de períodos regulares em terra. A tripulação teria passado meses sem uma oportunidade significativa de desembarcar.

Queixas sobre comida e estrutura

Familiares de militares também relataram problemas nas condições de vida a bordo. Entre as reclamações estão falta de alguns suprimentos, problemas de encanamento, banheiros quebrados, chuveiros com mofo e períodos sem água quente.

Também foram mencionadas dificuldades relacionadas à alimentação. Segundo relatos apresentados por familiares a autoridades norte-americanas, algumas refeições teriam sido reduzidas a porções bastante limitadas.

As denúncias foram levadas a autoridades da Marinha e também chegaram ao Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares passaram a cobrar explicações sobre as condições enfrentadas pelos militares e sobre a duração excepcional da missão.

Marinha contesta aumento de casos

Apesar da gravidade dos relatos, a Marinha dos Estados Unidos apresentou uma versão diferente sobre a situação.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, a instituição afirmou que não identificou aumento de pensamentos ou tentativas de suicídio a bordo do USS Abraham Lincoln.

A Marinha também destacou que existem serviços de assistência e atendimento à saúde mental disponíveis para os militares durante a missão.

O secretário interino da Marinha, Hung Cao, participou de uma reunião com familiares em San Diego, onde foram apresentadas preocupações relacionadas ao estado físico e emocional dos integrantes da tripulação.

Recorde de permanência

A permanência prolongada do USS Abraham Lincoln ocorre em meio à intensificação das operações militares norte-americanas no Oriente Médio.

Segundo os veículos que acompanham o caso, a embarcação já ultrapassou o período considerado habitual para uma missão desse tipo. O tempo prolongado sem uma parada em terra teria aumentado a pressão sobre os militares, especialmente diante da continuidade do conflito e das sucessivas extensões da missão.

As denúncias continuam sendo analisadas por autoridades militares e parlamentares dos Estados Unidos.