A NASA lançou neste domingo (30) o telescópio espacial Nancy Grace Roman, um dos mais importantes observatórios astronômicos já desenvolvidos pela agência espacial norte-americana.

O equipamento foi levado ao espaço por um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O lançamento marca o início de uma missão estimada em US$ 4 bilhões, criada para ampliar o conhecimento científico sobre a estrutura e a evolução do Universo.

Batizado em homenagem a Nancy Grace Roman, considerada uma das figuras fundamentais para o desenvolvimento do programa de astronomia espacial da NASA, o novo telescópio terá uma missão diferente da desempenhada por observatórios como Hubble e James Webb.

O que o Roman vai investigar

Entre os principais objetivos do observatório está a investigação da chamada energia escura, fenômeno que está relacionado à expansão acelerada do Universo.

O Roman também vai estudar a matéria escura, que não emite nem reflete luz, mas exerce influência gravitacional sobre estrelas, galáxias e outras estruturas cósmicas.

Outro foco importante será a procura por exoplanetas — planetas localizados fora do Sistema Solar. A NASA estima que a missão possa identificar aproximadamente 100 mil novos exoplanetas durante suas pesquisas.

O observatório também deverá produzir um enorme banco público de dados, que poderá ser utilizado por pesquisadores em estudos sobre estrelas, buracos negros, galáxias e a própria evolução do Universo.

Campo de visão muito maior que o Hubble

Uma das principais características do Roman é sua capacidade de observar uma área do céu muito maior em cada imagem.

Segundo a NASA, o campo de visão do novo observatório será pelo menos 100 vezes maior que o do telescópio Hubble. A expectativa é que o equipamento consiga analisar a luz de mais de 1 bilhão de galáxias ao longo de sua missão principal.

Na prática, enquanto o Hubble é conhecido por produzir imagens extremamente detalhadas de regiões específicas do espaço, o Roman terá uma capacidade muito maior de realizar grandes levantamentos do céu.

A combinação permitirá aos cientistas estudar o Universo em uma escala ainda mais ampla.

Roman seguirá para uma região distante da Terra

Após o lançamento, o telescópio seguirá para o segundo ponto de Lagrange do sistema Sol-Terra, conhecido como L2. A região fica a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

A localização permitirá ao observatório manter condições favoráveis para realizar suas observações e estudar o Universo com maior estabilidade.

O Roman foi projetado para uma missão principal de cinco anos, com possibilidade de extensão caso suas condições operacionais e o combustível disponível permitam.

Um novo capítulo para a astronomia

A chegada do Roman ao espaço não significa a substituição dos telescópios Hubble e James Webb. A proposta é complementar o trabalho realizado pelos dois observatórios.

Enquanto o James Webb é especializado em observações profundas e detalhadas de objetos muito distantes, o Roman terá capacidade para realizar levantamentos muito mais amplos do céu.

A expectativa da comunidade científica é que os dados coletados pelo novo observatório ajudem a responder questões fundamentais sobre a composição do Universo, a formação de galáxias e sistemas planetários e o comportamento da matéria e da energia em escala cósmica.

Com o lançamento concluído, começa agora uma nova etapa da missão: a viagem até sua posição no espaço, seguida pela preparação e calibração dos instrumentos antes do início das observações científicas.