As equipes de emergência do Nepal continuam as buscas por milhares de pessoas desaparecidas após as fortes enchentes e deslizamentos que atingiram a região próxima à fronteira com a China. O desastre, iniciado no fim de agosto, já deixou mais de 1,2 mil mortos e aproximadamente 4,2 mil pessoas desaparecidas, de acordo com os balanços mais recentes divulgados pelas autoridades nepalesas.
A tragédia teve início após o colapso de uma geleira na região do Himalaia. A avalanche de gelo e rochas provocou uma enorme corrente de água, lama e detritos que avançou por comunidades próximas a rios, destruindo casas, estradas, pontes e outras estruturas.
Segundo informações divulgadas pela Reuters nesta quinta-feira (3), pelo menos 1.252 pessoas morreram no Nepal, enquanto mais de 4.200 continuam desaparecidas. Entre os desaparecidos estão trabalhadores de projetos hidrelétricos que podem ter ficado presos em túneis atingidos pelo deslizamento.
As operações de resgate enfrentam dificuldades por causa do terreno montanhoso, da destruição de vias de acesso e da possibilidade de novos deslizamentos. Mais de 9 mil integrantes das forças de segurança nepalesas participam dos trabalhos, com apoio de especialistas estrangeiros.
Trabalhadores presos em túneis
Uma das principais preocupações das equipes de emergência é localizar trabalhadores que estavam em instalações de projetos hidrelétricos quando a enchente atingiu a região.
As autoridades estimam que cerca de 900 pessoas possam estar presas ou desaparecidas em túneis de usinas hidrelétricas. Máquinas pesadas, explosivos controlados e equipes especializadas vêm sendo utilizados para retirar toneladas de lama e detritos dos locais.
Equipes do Nepal, da China e da Índia participam de diferentes frentes de assistência e resgate. Helicópteros também são empregados para alcançar comunidades isoladas e transportar sobreviventes e mantimentos.
Famílias procuram por desaparecidos
Em Katmandu, capital do Nepal, familiares de pessoas desaparecidas seguem em busca de informações. Um dos pontos utilizados para ajudar na identificação de vítimas é o hospital universitário de Tribhuvan, onde fotografias e informações sobre desaparecidos foram reunidas.
A identificação dos corpos também representa um desafio. Em muitos casos, o estado das vítimas exige a realização de exames de DNA para confirmar a identidade e permitir que os restos mortais sejam entregues às famílias.
Destruição e risco de novas enchentes
Além das perdas humanas, a enchente provocou grandes danos à infraestrutura. Milhares de casas foram destruídas ou ficaram sem condições de uso, enquanto pontes e rodovias foram arrastadas pela força da água.
O governo estima que cerca de 20 mil residências tenham sido destruídas ou severamente danificadas. A quantidade de destroços acumulados dificulta tanto as operações de emergência quanto o início da reconstrução.
Especialistas também alertam para a possibilidade de novos episódios de inundação provocados pelo derretimento e pelo deslocamento de grandes massas de gelo nas montanhas. O episódio reacendeu o debate sobre os impactos das mudanças climáticas sobre as regiões de alta montanha do Himalaia.
A Organização das Nações Unidas já alertou para o aumento do risco de inundações provocadas pelo rompimento de lagos glaciais na região. O derretimento acelerado das geleiras pode aumentar a instabilidade de áreas montanhosas e colocar comunidades inteiras em risco.
As autoridades nepalesas continuam mobilizadas para localizar os desaparecidos, atender os sobreviventes e restabelecer o acesso às áreas mais afetadas.
