O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, voltou a provocar repercussão internacional após publicar nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial que representa palestinos sendo submetidos a condições de fome dentro de uma prisão.

Na gravação, os detentos aparecem entrando em uma espécie de instalação por uma esteira e saindo do outro lado visivelmente mais magros e debilitados. A produção foi interpretada por críticos como uma representação de um campo de concentração. Ben-Gvir acompanhou a publicação com uma mensagem de tom celebratório, afirmando que sua política de endurecimento das condições nos presídios estava sendo colocada em prática. O vídeo acabou sendo apagado posteriormente.

Ministro israelense Itamar Ben-Gvir publica vídeo em que celebra fome de prisioneiros palestinos em prisões do país — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Ministro israelense Itamar Ben-Gvir publica vídeo em que celebra fome de prisioneiros palestinos em prisões do país — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ministro já defendeu redução da alimentação

A publicação ocorre em meio a uma política adotada por Ben-Gvir para restringir as condições oferecidas aos palestinos presos em Israel.

Ministro israelense Itamar Ben-Gvir publica vídeo em que celebra fome de prisioneiros palestinos em prisões do país — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Ministro israelense Itamar Ben-Gvir publica vídeo em que celebra fome de prisioneiros palestinos em prisões do país — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O ministro já declarou que pretendia garantir aos detentos classificados pelo governo como “terroristas” apenas o mínimo possível de alimentação. Em outro vídeo divulgado recentemente, ele aparece confrontando mulheres palestinas detidas, que reclamavam da falta de banho, atendimento médico e roupas limpas.

Na gravação, Ben-Gvir afirma que o período de “boas condições” nas prisões havia terminado e diz ser diretamente responsável pela situação.

Situação dos presos já havia provocado decisões judiciais

As condições alimentares dos palestinos mantidos em prisões israelenses já foram alvo de questionamentos dentro do próprio sistema judicial de Israel.

Em 2025, a Suprema Corte israelense determinou que o Estado deveria assegurar aos presos um nível básico de existência, depois de reconhecer problemas relacionados à quantidade e à qualidade da alimentação oferecida aos detentos.

Meses depois, reportagem da Reuters mostrou que presos palestinos continuavam relatando fome extrema mesmo após a decisão judicial. Ex-detentos entrevistados pela agência descreveram refeições insuficientes e perda significativa de peso durante o período de encarceramento.

Relatos incluem maus-tratos e falta de condições básicas

As denúncias sobre as condições enfrentadas por palestinos detidos em Israel não se limitam à alimentação.

Relatos reunidos pela Associated Press apontaram casos de espancamentos, superlotação e restrições no fornecimento de itens básicos em unidades prisionais israelenses. A agência ressaltou que não conseguiu verificar de forma independente todos os relatos apresentados pelos ex-detentos.

A Reuters também registrou anteriormente relatos de prisioneiros palestinos sobre fome, agressões e outras formas de abuso durante o período de detenção. As autoridades israelenses, por sua vez, negaram a existência de uma política sistemática de maus-tratos e afirmaram investigar casos específicos.

Ben-Gvir é figura recorrente em controvérsias

Integrante da ala ultradireitista do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Ben-Gvir ocupa o cargo de ministro da Segurança Nacional e há anos defende medidas mais duras contra palestinos.

Nos últimos meses, ele também esteve envolvido em outras controvérsias relacionadas ao tratamento de palestinos. Em maio, por exemplo, divulgou imagens nas quais aparece provocando ativistas de uma flotilha que tentava levar ajuda para Gaza e que haviam sido detidos por Israel. O episódio provocou forte reação internacional.

Em outra frente, Ben-Gvir apoiou a legislação que estabeleceu a pena de morte para palestinos condenados por determinados crimes considerados relacionados ao terrorismo. A aprovação da medida, em 2026, foi comemorada pelo ministro e criticada por organizações de direitos humanos e setores da oposição israelense.

Publicação reacende debate sobre uso da fome como punição

A divulgação do vídeo voltou a colocar no centro do debate as acusações de que a fome e a privação de condições básicas estariam sendo utilizadas como instrumentos de punição contra palestinos.

A Human Rights Watch já havia denunciado, em relação à Faixa de Gaza, o uso deliberado da privação de alimentos, água e combustível como estratégia de guerra. A organização classificou a prática como potencial crime de guerra.

No caso específico das prisões, organizações palestinas e grupos de direitos humanos também denunciam condições degradantes e tratamento abusivo dos detentos.

A publicação de Ben-Gvir, por isso, ganhou repercussão não apenas pelo conteúdo da animação, mas também pelo tom utilizado pelo ministro ao apresentar a representação de pessoas sendo submetidas à fome como demonstração de que sua política estava sendo executada.