O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer anunciou nesta terça-feira (1º) que também deixará o Parlamento britânico, encerrando uma trajetória de 11 anos como deputado pelo distrito de Holborn e St Pancras, no norte de Londres.

Starmer afirmou que decidiu renunciar ao mandato para concentrar sua atuação em assuntos internacionais, incluindo áreas como defesa, segurança, comércio e tecnologia. A decisão ocorre cerca de seis semanas depois de ele deixar o comando do governo britânico.

Em declaração divulgada nesta terça, o ex-premiê afirmou que considera este o momento adequado para “passar o bastão” a um sucessor. Ele também agradeceu aos eleitores e apoiadores da região, onde foi eleito pela primeira vez em 2015.

Saída abre nova disputa eleitoral

A renúncia de Starmer deverá provocar uma eleição suplementar para definir o novo representante de Holborn e St Pancras na Câmara dos Comuns.

O distrito é considerado historicamente favorável ao Partido Trabalhista, legenda que Starmer liderou durante a vitória expressiva nas eleições gerais de 2024. Naquele pleito, ele conseguiu manter a cadeira com uma vantagem de aproximadamente 11,5 mil votos.

A nova disputa poderá, entretanto, ganhar importância política diante do atual cenário do Partido Trabalhista. A saída de Starmer acontece após uma forte turbulência interna que culminou em sua renúncia à liderança do partido e ao cargo de primeiro-ministro.

Starmer deixou o governo após perder apoio político

Keir Starmer chegou ao cargo de primeiro-ministro em julho de 2024, depois de conduzir o Partido Trabalhista a uma vitória histórica nas eleições gerais, encerrando 14 anos de governos liderados pelo Partido Conservador.

O período no governo, porém, foi marcado por queda de popularidade, dificuldades políticas e perda de apoio dentro do próprio Partido Trabalhista.

Em junho deste ano, Starmer anunciou que deixaria o cargo após reconhecer que não contava mais com apoio suficiente dentro da legenda para conduzir o partido até a próxima eleição geral.

Ele foi posteriormente substituído como primeiro-ministro por Andy Burnham, que assumiu o comando do governo britânico em julho.

Ex-premiê diz que pretende atuar internacionalmente

Ao explicar a decisão de abandonar também o Parlamento, Starmer destacou a intenção de dedicar mais tempo a questões internacionais.

Entre os temas associados à sua atuação recente estão iniciativas relacionadas à guerra na Ucrânia, relações do Reino Unido com a China, segurança e defesa e o reconhecimento do Estado palestino.

A decisão representa uma mudança em relação ao plano anunciado anteriormente por Starmer, que pretendia permanecer como deputado até a próxima eleição geral. Agora, o ex-premiê optou por deixar a política parlamentar e concentrar sua atuação em outras áreas.

Partido Trabalhista enfrenta novo teste

A saída de Starmer ocorre justamente quando o atual primeiro-ministro, Andy Burnham, enfrenta o retorno das atividades parlamentares e precisa consolidar sua liderança dentro do Partido Trabalhista.

A eleição suplementar em Holborn e St Pancras deverá ser acompanhada de perto por diferentes partidos. Embora a região tenha forte histórico de apoio aos trabalhistas, a disputa poderá servir como um termômetro da situação política da legenda após a saída de Starmer.

Com a renúncia, Starmer encerra uma etapa de mais de uma década na Câmara dos Comuns e deixa de ocupar qualquer mandato parlamentar.