A líder da Igreja da Unificação, Han Hak-ja, de 83 anos, foi condenada nesta segunda-feira (31) a dois anos de prisão por um tribunal da Coreia do Sul. A decisão foi tomada pela Corte Distrital Central de Seul, que considerou a religiosa culpada em um processo relacionado a financiamento político e suborno envolvendo integrantes do antigo governo sul-coreano.
Han é viúva do fundador da Igreja da Unificação, Sun Myung Moon, morto em 2012. Ela assumiu a liderança da organização após a morte do marido.
Segundo a decisão judicial, Han foi condenada por violações relacionadas à legislação de financiamento político e às regras que proíbem o oferecimento de vantagens indevidas a agentes públicos. As penas foram fixadas em um ano para cada uma das duas acusações, totalizando dois anos de prisão.
A sentença ficou abaixo dos 13 anos de prisão solicitados pela equipe de promotores especiais que conduziu a investigação.
Caso envolve ex-primeira-dama
Uma das principais acusações contra Han envolve a entrega de presentes de alto valor à então primeira-dama Kim Keon Hee, esposa do ex-presidente Yoon Suk Yeol.
De acordo com a acusação, a líder religiosa teria participado de uma operação para entregar uma bolsa da Chanel e um colar de luxo à então primeira-dama em 2022. A investigação apontou que os presentes teriam sido oferecidos com a intenção de obter influência política e benefícios para a organização religiosa.
O processo também envolveu a acusação de que 100 milhões de wons — cerca de US$ 70 mil, em valores aproximados — teriam sido entregues ao então deputado Kweon Seong-dong, ligado ao partido de Yoon.
O tribunal considerou as principais acusações contra Han procedentes.
Líder negou participação consciente
Durante o processo, Han negou ter cometido irregularidades.
A defesa sustentou que ela não tinha interesse em interferir na política e que não tinha conhecimento das ações atribuídas a subordinados da Igreja da Unificação.
Apesar da negativa, os juízes consideraram que as provas apresentadas eram suficientes para responsabilizá-la pelos crimes julgados.
A decisão desta segunda-feira é de primeira instância, o que significa que ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Outros integrantes também foram condenados
O processo não envolve apenas Han Hak-ja.
O ex-chefe mundial da Igreja da Unificação, Yoon Young-ho, recebeu pena de seis meses de prisão. Já um ex-chefe de gabinete da líder religiosa foi condenado a oito meses de prisão, com suspensão da pena por dois anos.
Uma ex-integrante do setor financeiro da organização, esposa de Yoon Young-ho, também recebeu pena de seis meses, igualmente com suspensão por um ano.
As condenações fazem parte de uma investigação mais ampla sobre possíveis relações entre a Igreja da Unificação e integrantes do governo do ex-presidente Yoon Suk Yeol.
Escândalo político atingiu antigo governo
O caso da Igreja da Unificação se tornou parte de uma investigação maior sobre corrupção e influência política na Coreia do Sul.
Kim Keon Hee, ex-primeira-dama, também foi alvo de acusações relacionadas ao recebimento de presentes e a outras práticas consideradas ilegais. Segundo a Associated Press, ela acabou condenada a uma pena de quatro anos depois de uma decisão em grau de recurso.
O escândalo ocorreu em meio às investigações que atingiram o governo de Yoon Suk Yeol, que sofreu forte crise política após a tentativa de impor lei marcial em 2024 e acabou sendo afastado definitivamente da Presidência.
Quem é Han Hak-ja?
Han Hak-ja nasceu na Coreia do Norte e se tornou uma das principais figuras da Igreja da Unificação após se casar com Sun Myung Moon.
A organização foi fundada por Moon em 1954, na Coreia do Sul, e ficou conhecida internacionalmente por sua atuação religiosa, empresarial e política, além das cerimônias coletivas de casamento que reuniram milhares de casais.
Após a morte de Moon, Han passou a exercer papel central na liderança da organização.
A Igreja da Unificação mantém atividades em diferentes países e possui uma estrutura empresarial e religiosa de alcance internacional.
Próximos passos
Como a decisão desta segunda-feira corresponde à primeira instância, a defesa de Han ainda pode recorrer.
O caso também deve continuar sendo acompanhado pelas autoridades sul-coreanas devido à possibilidade de novos desdobramentos relacionados à atuação da organização religiosa e às conexões estabelecidas com políticos durante o governo anterior.
A condenação representa mais um capítulo de um dos maiores escândalos político-religiosos recentes da Coreia do Sul e reforça o escrutínio sobre a influência de grupos religiosos na política do país.
