O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei complementar que permite ao governo federal reduzir tributos incidentes sobre combustíveis em meio à pressão provocada pela alta do petróleo no mercado internacional. A medida envolve gasolina, óleo diesel rodoviário, biodiesel, etanol e querosene de aviação.
Para Alagoas, a decisão pode ter reflexos diretos no bolso dos consumidores, principalmente motoristas e trabalhadores que dependem do transporte para exercer suas atividades. Uma eventual queda no preço dos combustíveis também pode reduzir custos de transporte e logística, com possíveis efeitos sobre o preço de produtos e serviços.
No entanto, a sanção da lei não significa que os combustíveis ficarão imediatamente mais baratos nos postos. A redução efetiva dos tributos dependerá das medidas que forem adotadas pelo governo e da forma como o benefício será repassado ao longo da cadeia de comercialização.
Como a medida funciona
A legislação permite que o governo reduza alíquotas de tributos federais sobre a importação, produção e comercialização de combustíveis. A ideia é utilizar parte do aumento extraordinário das receitas relacionadas ao petróleo para compensar a perda de arrecadação provocada pela redução dos impostos.
O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional antes de seguir para sanção presidencial. Entre as regras previstas está a possibilidade de redução da tributação federal sobre gasolina e diesel, além de mecanismos envolvendo o etanol.
No caso da gasolina, se a tributação federal for reduzida em 30% ou mais, as alíquotas incidentes sobre o etanol poderão ser zeradas. A legislação também prevê uma subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado neste ano.
O que muda para quem abastece em Alagoas?
Para o consumidor alagoano, o principal efeito esperado é a possibilidade de redução do preço final dos combustíveis. Atualmente, o valor cobrado nos postos varia conforme fatores como preço do petróleo, câmbio, custos de distribuição, margens de comercialização e tributação.
Em Maceió, por exemplo, a gasolina comum apresentou preço médio de R$ 6,69 por litro na semana de 16 a 22 de agosto, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A pesquisa considerou 19 postos da capital.
Assim, qualquer redução efetiva na carga tributária federal poderá representar uma diferença no valor pago pelo consumidor. O tamanho desse impacto, porém, ainda não pode ser definido apenas com a sanção da lei.
E o ICMS de Alagoas?
Um ponto importante é que a nova legislação trata principalmente dos tributos federais. O ICMS, que é um imposto estadual, segue uma dinâmica própria.
Em março, Alagoas esteve entre os estados que não aderiram à proposta do governo federal para reduzir temporariamente a cobrança de ICMS sobre o diesel. Na ocasião, a discussão provocou debate sobre o impacto que uma redução do imposto teria nas receitas estaduais.
A tributação sobre combustíveis tem peso relevante para as contas dos estados. Segundo o Comsefaz, o setor responde por cerca de 20% da arrecadação do ICMS, o que ajuda a explicar a resistência de governos estaduais a novas reduções do imposto.
Possível impacto além dos postos
A redução dos combustíveis pode ter efeitos que vão além do preço pago diretamente pelo motorista.
O diesel, por exemplo, é fundamental para o transporte de cargas e para o abastecimento de supermercados, feiras e estabelecimentos comerciais. Uma queda no custo do combustível pode aliviar despesas de transportadoras e produtores e, em determinadas situações, contribuir para diminuir a pressão sobre os preços de mercadorias.
O impacto também pode atingir trabalhadores que utilizam veículos diariamente, como motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e profissionais que precisam se deslocar entre diferentes municípios.
Redução não significa desconto garantido
Apesar da expectativa de queda, especialistas e representantes do setor costumam destacar que a redução de tributos não é necessariamente repassada integralmente ao consumidor.
O preço final depende de toda a cadeia, desde a produção ou importação até a distribuição e a revenda. Por isso, o consumidor deverá acompanhar os preços praticados nos postos após a implementação das medidas.
A própria discussão no Congresso deixou claro que a autorização para reduzir os tributos não estabelece um desconto automático e fixo por litro. O efeito sobre o preço dependerá da regulamentação e da execução da política pelo governo.
Cenário ainda é de atenção aos preços
A decisão ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado internacional de petróleo. O governo federal já havia adotado medidas para tentar conter a alta dos combustíveis, incluindo a prorrogação de um subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina até 9 de setembro.
Para Alagoas, a expectativa agora fica concentrada em saber como a nova legislação será colocada em prática e qual será o reflexo nos preços dos postos.
Enquanto isso, consumidores devem ficar atentos às variações de valores e comparar os preços antes de abastecer, já que eventuais reduções de impostos podem não aparecer de maneira uniforme em todos os estabelecimentos.
