O Brasil voltou a ser reconhecido internacionalmente pelos avanços na vacinação infantil. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o país registrou uma das maiores recuperações na cobertura vacinal dos últimos anos, revertendo a queda observada durante e após a pandemia de Covid-19.

Um dos principais indicadores do levantamento é a redução expressiva do número de chamadas "crianças zero-dose" — aquelas que não receberam sequer a primeira dose da vacina pentavalente, responsável pela proteção contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib). Segundo as estimativas, esse contingente caiu de aproximadamente 360 mil crianças em 2023 para cerca de 50 mil em 2025, uma redução próxima de 90%. Com esse desempenho, o Brasil deixou de integrar a lista dos 20 países com o maior número de crianças sem imunização básica e passou a figurar entre as nações que mais avançaram na recuperação da vacinação infantil.

O relatório atribui esse resultado à retomada das campanhas nacionais de vacinação, à ampliação da busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos, ao fortalecimento das salas de vacina, à vacinação em escolas e à melhoria dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Reflexos para Alagoas

Em Alagoas, o reconhecimento internacional reforça a importância da manutenção das campanhas de imunização realizadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e pelos municípios. A recuperação da cobertura vacinal reduz o risco de reintrodução de doenças que já estavam controladas, como sarampo e poliomielite, além de proteger principalmente crianças menores de cinco anos, grupo mais vulnerável às complicações dessas enfermidades.

Para especialistas em saúde pública, o desafio agora é manter os índices elevados de vacinação e alcançar famílias que ainda apresentam atraso no calendário vacinal. Em municípios do interior, onde o acesso aos serviços de saúde pode ser mais difícil, ações itinerantes e campanhas de conscientização continuam sendo fundamentais para ampliar a cobertura.

Além da proteção individual, altas taxas de vacinação fortalecem a chamada imunidade coletiva, reduzindo a circulação de vírus e bactérias e protegendo também pessoas que não podem ser imunizadas por razões médicas.

Cenário mundial ainda preocupa

Apesar do avanço brasileiro, o panorama global continua exigindo atenção. O relatório da OMS e do Unicef aponta que cerca de 13,5 milhões de crianças permaneceram sem receber a primeira dose da vacina com componente DTP em 2025. Outras 7,3 milhões iniciaram o esquema vacinal, mas não concluíram todas as doses recomendadas, aumentando o risco de surtos de doenças imunopreveníveis. Entre os fatores que dificultam a recuperação estão conflitos armados, desigualdades sociais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a disseminação de desinformação sobre vacinas.

Repercussão positiva

A avaliação positiva de organismos internacionais reforça a credibilidade do Programa Nacional de Imunizações, historicamente considerado uma referência mundial. O reconhecimento também fortalece as estratégias adotadas pelos estados e municípios para ampliar a cobertura vacinal, melhorar o monitoramento dos indicadores e recuperar crianças que ainda não completaram o calendário de vacinação.

Para Alagoas, a tendência é de continuidade das ações de mobilização nas Unidades Básicas de Saúde, escolas e campanhas extramuros, buscando manter a população protegida e evitar o retorno de doenças que podem ser prevenidas por vacinas. Especialistas alertam que a participação das famílias continua sendo decisiva para consolidar os resultados alcançados e garantir a proteção das futuras gerações.