Um mês após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas ainda aguarda o início da tramitação no Senado Federal. A expectativa é que o texto seja analisado pelos senadores no segundo semestre, mas ainda não há uma data definida para votação.
A proposta representa uma das maiores mudanças nas relações de trabalho das últimas décadas. O texto aprovado pelos deputados estabelece uma transição gradual: cerca de 60 dias após a promulgação da emenda, a jornada máxima cairia para 42 horas semanais, mantendo dois dias de descanso remunerado por semana. Após um período de adaptação, o limite passaria definitivamente para 40 horas, sem redução salarial.
O que muda para Alagoas
Caso seja aprovada também pelo Senado e promulgada, a nova regra terá impacto direto sobre milhares de trabalhadores alagoanos, principalmente nos setores de comércio, supermercados, restaurantes, hotéis, serviços, construção civil e segurança privada, onde a escala 6x1 é bastante utilizada.
Empresas poderão precisar reorganizar turnos, contratar novos funcionários ou rever a distribuição das equipes para cumprir a nova jornada. Por outro lado, representantes dos trabalhadores defendem que a mudança pode melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste físico e mental e aumentar a produtividade.
Especialistas apontam que estados com forte presença do setor de serviços, como Alagoas, deverão sentir os efeitos da medida de forma mais intensa, exigindo adaptação tanto do setor privado quanto de órgãos públicos responsáveis pela fiscalização das relações de trabalho.
Debate continua dividido
A proposta continua provocando divergências entre entidades patronais e sindicatos.
Centrais sindicais afirmam que a redução da jornada acompanha uma tendência internacional de valorização da qualidade de vida dos trabalhadores, além de poder estimular novas contratações em determinados segmentos.
Já representantes do setor empresarial argumentam que a mudança poderá elevar os custos operacionais, especialmente para pequenas e médias empresas, que dependem de equipes reduzidas para manter o funcionamento diário.
Próximo passo é o Senado
Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto ainda precisa ser aprovado em dois turnos pelo Senado Federal, com o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores. Somente depois disso a proposta poderá ser promulgada e entrar em vigor.
Enquanto isso, trabalhadores e empregadores seguem acompanhando a tramitação da matéria, considerada uma das mais relevantes da pauta trabalhista em 2026.
Repercussão
Nas redes sociais, a PEC continua mobilizando opiniões favoráveis e contrárias. O tema ganhou força a partir da campanha do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende jornadas menores e mais tempo de descanso para os trabalhadores. Ao mesmo tempo, entidades ligadas ao comércio, à indústria e ao setor de serviços pedem cautela na implementação das mudanças e defendem um período de adaptação para evitar impactos econômicos, principalmente sobre pequenos negócios.
