Uma pesquisa nacional divulgada neste domingo (5) acendeu um alerta sobre um dos principais temas ligados ao desenvolvimento sustentável no Brasil. O levantamento mostra que 39% dos brasileiros nunca ouviram falar em economia circular, modelo que busca reduzir o desperdício por meio da reutilização, reciclagem e reinserção de materiais no ciclo produtivo. Apesar do desconhecimento, a maioria da população demonstra interesse em adotar hábitos de consumo mais sustentáveis.
O estudo "Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População", realizado pelo Instituto QualiBest a pedido do Movimento Plástico Transforma, ouviu 834 brasileiros maiores de 18 anos em todas as regiões do país. Segundo a pesquisa, apenas 12% afirmam conhecer bem o conceito de economia circular, enquanto 45% já ouviram falar sobre o tema, mas admitem saber pouco sobre seu funcionamento.

Na prática, a economia circular propõe uma mudança no modelo tradicional de produção e consumo. Em vez de extrair, produzir, consumir e descartar, a proposta é manter produtos e matérias-primas em circulação pelo maior tempo possível, reduzindo a geração de resíduos, preservando recursos naturais e estimulando novos negócios baseados na reciclagem, no reuso e na recuperação de materiais.
O que isso representa para Alagoas?
Em Alagoas, o tema ganha importância diante dos desafios relacionados à destinação correta dos resíduos sólidos e à ampliação da coleta seletiva. Embora diversos municípios desenvolvam iniciativas de reciclagem e educação ambiental, especialistas apontam que ainda há espaço para ampliar a conscientização da população e fortalecer políticas públicas voltadas ao reaproveitamento de materiais.
O avanço da economia circular pode representar benefícios econômicos e ambientais para o estado. A expansão da reciclagem fortalece cooperativas de catadores, gera emprego e renda, reduz o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários e diminui os impactos ambientais provocados pelo descarte inadequado de lixo.
Além disso, setores importantes da economia alagoana, como a indústria, o comércio, o turismo e o agronegócio, podem incorporar práticas circulares para reduzir custos, aumentar a eficiência no uso de recursos e atender a um mercado consumidor cada vez mais atento às questões ambientais.
População demonstra disposição para mudar hábitos
Apesar do desconhecimento sobre o conceito, a pesquisa revela um cenário considerado positivo. Cerca de 74% dos entrevistados afirmaram estar dispostos a mudar hábitos de consumo para produzir menos resíduos, enquanto apenas 23% disseram não ter interesse em alterar seu comportamento.
Outro dado chama atenção: 78% dos participantes entendem que a responsabilidade pela reciclagem deve ser compartilhada principalmente pela população. O governo foi citado por 63% e as empresas por 55%, demonstrando que os brasileiros enxergam a sustentabilidade como uma responsabilidade coletiva.
Coleta seletiva ainda é um obstáculo
O levantamento também mostra que a infraestrutura continua sendo um dos principais entraves para ampliar a reciclagem no país. Apenas pouco mais da metade dos entrevistados afirma contar com coleta seletiva em seu bairro, enquanto muitos apontam a ausência desse serviço como a principal dificuldade para separar corretamente os resíduos.
Para estados como Alagoas, especialistas avaliam que ampliar programas de coleta seletiva, investir em educação ambiental nas escolas e fortalecer cooperativas de reciclagem são medidas fundamentais para transformar o conceito de economia circular em uma realidade presente no dia a dia da população.
Embora ainda seja pouco conhecido, o modelo é considerado por organizações ambientais e pelo setor produtivo uma das principais estratégias para reduzir impactos ambientais, estimular a inovação e criar uma economia mais sustentável nas próximas décadas.
