A Petrobras deu mais um passo para ampliar sua atuação internacional na exploração de petróleo e gás. A estatal brasileira informou nesta sexta-feira (21) que recebeu autorização do governo de Gana, na África Ocidental, para iniciar negociações envolvendo contratos de exploração em quatro blocos offshore na Bacia de Keta.
A autorização foi concedida pelo Ministério de Energia e Transição Verde de Gana e permite que a Petrobras avance para a negociação direta dos termos dos contratos. A companhia ainda não iniciou a exploração dos blocos: neste momento, o processo está na fase de discussão das condições para uma eventual operação na região.
A movimentação faz parte da estratégia da Petrobras de buscar novas fronteiras exploratórias e recompor suas reservas de óleo e gás, tanto no Brasil quanto no exterior.
Petrobras amplia presença na África
A possível entrada em Gana ocorre em meio a uma retomada dos investimentos da Petrobras em projetos internacionais de exploração.
A companhia já mantém operações e participações em países africanos, incluindo Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul. Em julho deste ano, a Petrobras concluiu a aquisição e assumiu a operação do bloco 3, no offshore de São Tomé e Príncipe, com 75% de participação no consórcio.
No novo Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras prevê US$ 7,1 bilhões para atividades exploratórias ao longo do quinquênio. Entre as áreas consideradas estratégicas estão projetos no Brasil e oportunidades internacionais, incluindo Colômbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul.
A negociação em Gana, portanto, segue uma estratégia mais ampla de diversificação geográfica do portfólio exploratório.
O que está sendo negociado
Os quatro blocos estão localizados em águas offshore da Bacia de Keta, na costa de Gana.
A autorização concedida pelo governo local não representa uma descoberta de petróleo nem significa que a Petrobras já tenha reservas confirmadas na área. O próximo passo será negociar os contratos e, posteriormente, avaliar o potencial geológico dos blocos.
Somente após estudos, levantamentos e eventual perfuração de poços será possível determinar se existem reservas comercialmente viáveis.
A Petrobras vê novas fronteiras exploratórias como uma forma de ampliar as possibilidades de produção futura e reduzir os impactos do declínio esperado de algumas áreas maduras.
Busca por novas reservas ganha importância
A estratégia ocorre em um momento em que a Petrobras trabalha para garantir novas reservas para as próximas décadas.
Segundo o Plano de Negócios 2026-2030, a empresa prevê pico de produção de petróleo de aproximadamente 2,7 milhões de barris por dia em 2028 e pico de produção total de óleo e gás de 3,4 milhões de barris equivalentes por dia entre 2028 e 2029.
Depois desse período, a reposição de reservas passa a ser um desafio ainda maior para a companhia.
É nesse cenário que áreas como Gana, São Tomé e Príncipe, Colômbia e a chamada Margem Equatorial brasileira ganham importância estratégica.
Foz do Amazonas também está no radar
A expansão internacional acontece paralelamente à intensificação das atividades exploratórias da Petrobras no Brasil.
Em agosto, a companhia anunciou a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.
O poço fica aproximadamente 175 quilômetros da costa, em uma região de águas ultraprofundas. A Petrobras informou que ainda são necessários estudos para determinar a dimensão e a viabilidade comercial da descoberta.
A área é considerada uma das novas fronteiras petrolíferas brasileiras e tem provocado forte debate ambiental e político.
Para a estatal, tanto os projetos nacionais quanto os internacionais fazem parte do esforço para garantir reservas durante o processo de transição energética.
África ganha espaço na estratégia da estatal
A atuação em Gana também reforça a mudança de perfil da presença internacional da Petrobras.
Nos últimos anos, a empresa concentrou esforços em ativos considerados mais estratégicos, mas voltou a analisar oportunidades externas capazes de contribuir para a recomposição de reservas e diversificação do portfólio.
A descoberta de gás na Colômbia e a aquisição do bloco em São Tomé e Príncipe são exemplos recentes dessa estratégia. Na Colômbia, a Petrobras identificou um novo reservatório de gás no poço exploratório Sandia-1, na Bacia de Guajira.
E o que isso representa para Alagoas?
Embora a negociação aconteça a milhares de quilômetros de Alagoas, a movimentação da Petrobras pode ter reflexos indiretos para o setor de petróleo e gás brasileiro.
Alagoas possui histórico de exploração e produção de petróleo e gás natural, além de infraestrutura relacionada à cadeia energética. A expansão internacional de uma empresa de grande porte como a Petrobras pode contribuir para ampliar conhecimento técnico, fornecedores especializados e oportunidades para empresas brasileiras que atuam na cadeia de óleo e gás.
O impacto direto sobre a economia alagoana, entretanto, não pode ser dimensionado neste momento, já que a Petrobras ainda está negociando os contratos e não há previsão de produção comercial em Gana.
Para o estado, o principal efeito potencial está na manutenção e no desenvolvimento da cadeia nacional de fornecedores, serviços especializados, engenharia e tecnologia ligados ao setor energético.
Negociação ainda está no início
A autorização do governo de Gana representa um avanço, mas ainda existem várias etapas antes de uma eventual exploração.
A Petrobras terá de concluir as negociações contratuais, realizar estudos técnicos e ambientais e, caso os projetos avancem, executar campanhas exploratórias para verificar a existência e a dimensão de eventuais reservas.
Por isso, não há garantia de que os quatro blocos resultarão em produção de petróleo ou gás.
A estatal, por enquanto, trata a iniciativa como parte da estratégia de busca por novas oportunidades e recomposição de reservas.
Repercussão
A notícia reforça a estratégia da Petrobras de voltar a olhar para oportunidades internacionais em um momento de forte disputa por novas reservas de petróleo e gás.
A movimentação ocorre simultaneamente a importantes projetos exploratórios no Brasil e na América do Sul e coloca a África novamente entre as regiões consideradas estratégicas pela companhia.
Para Gana, a chegada de uma das maiores empresas de petróleo do mundo pode representar uma oportunidade de ampliar investimentos e conhecimento técnico no setor. Para a Petrobras, a negociação abre uma nova possibilidade de diversificação de reservas.
Para Alagoas, os efeitos ainda são indiretos, mas o avanço da estatal em novas fronteiras reforça a importância da cadeia nacional de petróleo e gás e pode gerar oportunidades para fornecedores e empresas brasileiras especializadas no setor caso os projetos internacionais avancem.
