A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange para desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos do tráfico internacional de drogas por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. As investigações apontam que o grupo utilizava uma ampla rede de empresas e operações financeiras para ocultar a origem ilícita dos valores.
Segundo a PF, o principal investigado é o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como um "doleiro moderno". De acordo com os investigadores, ele permanece foragido e teria utilizado mais de 70 empresas para movimentar recursos provenientes do crime organizado, por meio de transações bancárias, empresas de fachada, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptoativos.
A operação cumpriu sete dos 11 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, além de 13 mandados de busca e apreensão em endereços localizados no estado de São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, que podem alcançar R$ 10,4 bilhões, um dos maiores montantes já sequestrados em investigações dessa natureza no país.
Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, investigada por suposta participação no esquema. Dias antes da operação, ela e Victor Shimada haviam sido alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, que os acusa de integrar uma estrutura financeira responsável por lavar recursos do tráfico internacional de drogas e de manter ligações com integrantes da facção criminosa PCC. As sanções incluem o bloqueio de eventuais ativos sob jurisdição norte-americana e restrições para realização de negócios com cidadãos e empresas dos Estados Unidos.
Conforme a Polícia Federal, o grupo utilizava uma estrutura financeira complexa para dificultar o rastreamento do dinheiro ilícito. As investigações apontam movimentações envolvendo criptomoedas, operações bancárias de alto valor, transporte de grandes quantias em espécie e repasses entre pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos recursos obtidos pelo tráfico internacional de drogas.
Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. A defesa de Victor Shimada informou, em nota divulgada à imprensa, que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação e que somente irá se manifestar após analisar o conteúdo das decisões judiciais.
