A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, vazamento de informações sigilosas e possíveis conexões entre integrantes do crime organizado e agentes públicos no estado do Rio de Janeiro. A nova etapa da operação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra investigados apontados como peças-chave da organização criminosa.

Entre os principais alvos está o pastor e empresário Márcio Poncio, preso durante a ação da Polícia Federal. Também foram cumpridos mandados contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como "Adilsinho", apontado como uma das principais lideranças da atual estrutura do jogo do bicho no Rio de Janeiro, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já se encontrava preso em decorrência de outras investigações. O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Investigação teve início em 2025

As investigações começaram no fim de 2025, após a Polícia Federal identificar indícios de que informações sigilosas sobre operações policiais estariam sendo repassadas a integrantes do Comando Vermelho. Segundo os investigadores, esses vazamentos teriam permitido que suspeitos destruíssem provas, ocultassem patrimônio e evitassem ações das forças de segurança.

Com o avanço das apurações, a PF passou a investigar também um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a nova cúpula do jogo do bicho no estado e possíveis ramificações junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo fluminenses. A corporação afirma que a quinta fase busca aprofundar a coleta de provas sobre essas conexões.

Operação investiga rede de proteção ao crime organizado

De acordo com a Polícia Federal, as fases anteriores revelaram indícios da existência de uma estrutura destinada a favorecer integrantes de organizações criminosas por meio do acesso antecipado a informações sigilosas de investigações e operações policiais.

Os investigadores também apuram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos, além de possíveis mecanismos utilizados para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas. Todo o material apreendido nesta nova etapa será analisado para identificar outros participantes do esquema e ampliar as investigações.

Direito à ampla defesa

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre o conteúdo dos materiais apreendidos durante a operação. Os investigados terão direito ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo judicial, conforme prevê a Constituição Federal.

A operação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da presença de pessoas com prerrogativa de foro entre os investigados em fases anteriores da investigação.

Repercussão nacional

A nova fase da Operação Unha e Carne teve ampla repercussão no meio político e jurídico por envolver nomes conhecidos do cenário fluminense e por aprofundar investigações sobre a infiltração do crime organizado em estruturas públicas.

Especialistas avaliam que o avanço das apurações poderá contribuir para esclarecer a atuação de redes de lavagem de dinheiro e de proteção institucional a organizações criminosas, além de fortalecer ações de combate à corrupção e ao crime organizado.

O que o caso representa para Alagoas

Embora a investigação esteja concentrada no Rio de Janeiro, especialistas em segurança pública destacam que operações dessa dimensão interessam a todo o país, inclusive a Alagoas, por reforçarem a integração entre órgãos de investigação e o enfrentamento de organizações criminosas com atuação interestadual.

A troca de informações entre Polícia Federal, Ministério Público e demais instituições é considerada essencial para combater esquemas financeiros complexos, que frequentemente ultrapassam fronteiras estaduais. O desdobramento da Operação Unha e Carne deverá continuar sendo acompanhado pelas autoridades nos próximos meses, com a possibilidade de novas fases e responsabilização dos envolvidos, caso as suspeitas sejam confirmadas pela Justiça.