A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de acordo de colaboração premiada envolvendo o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
Freixo Júnior é dono da empresa Entre Investimentos e Participações, apontada nas investigações como intermediária de transferências de recursos que teriam sido destinados à produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O acordo foi negociado diretamente com a PGR e agora está sob análise do ministro André Mendonça, relator no STF dos processos relacionados às investigações do Banco Master e também do inquérito que apura o financiamento da produção cinematográfica. Cabe ao ministro decidir se irá homologar a colaboração.
Empresa teria intermediado repasses
De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, a empresa de Freixo Júnior teria sido utilizada para movimentar recursos entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e um fundo sediado nos Estados Unidos.
Os valores eram direcionados ao Havengate Development Fund, estrutura financeira que administrava recursos destinados ao filme e posteriormente fazia transferências para a Go Up Entertainment, produtora responsável pela obra.
O fundo americano tinha entre seus administradores Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Filme está no centro de investigação
Dark Horse entrou no radar das autoridades durante as investigações relacionadas ao Banco Master.
A produção retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e recebeu recursos privados atribuídos a Daniel Vorcaro. A origem, a movimentação e a destinação dos valores estão sendo analisadas pela Polícia Federal e pelo STF.
Reportagens recentes apontaram que Vorcaro teria feito um repasse adicional de aproximadamente US$ 1,6 milhão para o projeto em setembro de 2025. O dinheiro teria sido transferido por meio da estrutura financeira utilizada para financiar a produção.
A apuração também busca esclarecer o papel de diferentes pessoas e empresas na movimentação dos recursos e se houve alguma irregularidade nas operações.
Segundo acordo de colaboração no caso Master
A eventual delação de Freixo Júnior será a segunda colaboração premiada firmada pela PGR no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.
O primeiro acordo foi celebrado com João Carlos Mansur, ex-proprietário da gestora Reag. Assim como ocorre agora com Freixo Júnior, a colaboração de Mansur foi encaminhada ao STF para análise e eventual homologação pelo ministro André Mendonça.
A expectativa é que as informações fornecidas por Freixo Júnior possam contribuir para esclarecer a movimentação financeira investigada no caso e, especialmente, a cadeia de pagamentos relacionada ao filme.
Delação ainda precisa ser homologada
Apesar de a PGR ter fechado o acordo, a colaboração ainda não produz todos os seus efeitos.
A proposta precisa ser analisada pelo Supremo. O ministro André Mendonça deverá verificar aspectos como a legalidade do acordo, a regularidade da negociação e a relevância das informações apresentadas pelo colaborador.
Caso seja homologada, Freixo Júnior deverá cumprir as obrigações previstas no acordo e fornecer às autoridades informações e eventuais provas relacionadas aos fatos investigados.
A homologação, portanto, não significa que todas as declarações feitas pelo empresário sejam automaticamente consideradas verdadeiras. Os relatos e documentos apresentados deverão ser analisados e eventualmente confirmados por outros elementos de prova.
Investigação envolve Banco Master
O caso faz parte de uma investigação mais ampla sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.
A chamada Operação Compliance Zero apura possíveis fraudes financeiras e operações envolvendo instituições e empresas relacionadas ao banco. O caso passou a ter novos desdobramentos após a apreensão do celular de Daniel Vorcaro e a descoberta de mensagens e documentos que levaram a outras linhas de investigação.
Paralelamente, o STF acompanha as apurações relacionadas ao financiamento de Dark Horse, incluindo a origem dos recursos utilizados para a produção e a participação de empresários e intermediários nas transferências.
Com o envio da proposta ao Supremo, caberá agora a André Mendonça decidir se o acordo de Antônio Carlos Freixo Júnior será homologado.
