O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), protocolou um pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que sejam investigadas suspeitas de vazamento de informações sigilosas da Polícia Federal relacionadas ao ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
A iniciativa também pede autorização para uma operação de busca e apreensão contra o ex-assessor presidencial. As informações foram divulgadas inicialmente pela CNN Brasil, que teve acesso à petição apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro. O documento é assinado pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da campanha.
Entre as medidas solicitadas está o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de Marcola, abrangendo o período de janeiro de 2023 até o momento atual. A intenção, segundo a petição, é identificar a origem e a destinação dos valores recebidos, além de verificar eventual evolução patrimonial incompatível com os rendimentos do cargo ocupado no governo federal.
A representação também solicita acesso aos registros de entrada e saída de visitantes do Palácio do Planalto, do Palácio da Alvorada e do Gabinete Pessoal da Presidência nos últimos 30 dias. Outro pedido é para que a Polícia Federal informe datas e horários de encontros pessoais entre Lula e o diretor-geral da corporação no período de janeiro a julho de 2026.
Pagamentos de R$ 249 mil
O pedido ocorre em meio às revelações sobre pagamentos feitos pela empresária Roberta Luchsinger a Marcola. Segundo informações divulgadas pelo Poder360, Luchsinger teria arcado com despesas do então chefe de gabinete de Lula. Posteriormente, Marcola reconheceu o recebimento dos valores e afirmou que se tratava de um empréstimo pessoal, no total de R$ 249 mil, que já teria sido quitado.
A CNN Brasil informou que Roberta Luchsinger é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e que ela mantinha relações com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no caso das fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo a publicação, Luchsinger teria utilizado recursos próprios para pagar despesas pessoais de Marcola.
O Poder360, citando reportagem do Valor Econômico, relatou que os pagamentos teriam ocorrido no contexto de pedidos de acesso a autoridades. De acordo com essa versão, Marcola teria ajudado Luchsinger a chegar a integrantes da cúpula do Ministério da Saúde. A reportagem ressalta, contudo, que não há indicação de que contratos tenham sido efetivamente firmados na Saúde com Antônio Carlos Camilo Antunes em decorrência dessas gestões.
Saída do Planalto
Marco Aurélio Santana Ribeiro deixou formalmente a chefia do gabinete presidencial em julho. O Diário Oficial da União registra atos de exoneração e movimentações no Gabinete Pessoal da Presidência publicados em 21 de julho de 2026. O Poder360 também informou que Marcola deixou o cargo no dia 21 daquele mês e que Oswaldo Malatesta, então adjunto, assumiu a função.
Marcola foi uma figura próxima de Lula durante anos. Antes de integrar o governo, acompanhou o atual presidente durante o período em que ele esteve preso em Curitiba e atuou na organização de informações e correspondências recebidas pelo petista.
Relação com investigação sobre Lulinha
O episódio ganhou dimensão política porque Roberta Luchsinger também é alvo da investigação da Polícia Federal relacionada ao esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em maio, Luchsinger prestou depoimento à PF e confirmou ter apresentado Lulinha ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes. Ela, porém, negou ter repassado ao filho de Lula valores provenientes do empresário e afirmou que o contato entre os dois ocorreu em contexto social.
A empresária foi alvo de medidas de investigação no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Reportagens do UOL e da Folha apontam que a PF investiga os vínculos financeiros e empresariais de Luchsinger com o chamado “Careca do INSS”.
O ministro André Mendonça já havia autorizado medidas relacionadas à investigação. Em fevereiro, por exemplo, determinou, a pedido da Polícia Federal, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva.
No fim de julho, Mendonça também autorizou a abertura de uma nova investigação envolvendo Lulinha, relacionada a suspeitas de tráfico de influência e corrupção em possíveis tratativas com integrantes do governo federal. A informação foi confirmada por veículos como Reuters e Financial Times.
O que o PL quer investigar
Na representação entregue ao STF, Rogério Marinho sustenta que é necessário esclarecer se informações protegidas por sigilo, obtidas durante investigações da Polícia Federal, teriam chegado ao presidente Lula ou a integrantes de seu entorno político.
A petição também pede que sejam identificados os agentes que tiveram acesso aos dados e investigada a eventual utilização dessas informações para proteger politicamente o presidente em meio ao período pré-eleitoral.
A defesa de Lulinha, por sua vez, já contestou acusações de irregularidades. Em manifestação relacionada às investigações, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a defesa não identificava elementos que comprovassem envolvimento ilícito de Fábio Luís Lula da Silva.
A campanha de Lula também negou irregularidades relacionadas ao episódio envolvendo Marcola. Até a publicação da reportagem da CNN Brasil, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, não havia se manifestado sobre os questionamentos apresentados pela publicação.
O caso permanece sob análise e as suspeitas citadas nesta reportagem não representam, por si só, comprovação de crime ou responsabilidade dos envolvidos.
